Cesar Greco/Ag. Palmeiras
Aos 40 anos, Fernando Prass joga em alto nível no Palmeiras. Cesar Greco/Ag. Palmeiras

Atletas chegam aos 40 anos com evolução da ciência e de novos treinos

'Quarentões', esportistas demonstram estar em alto nível técnico, superam limites físicos, brigam com outras gerações e aumentam a longevidade no esporte

Wilson Baldini Jr, O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2019 | 04h30

Quando George Foreman retornou ao boxe, em 1987, aos 38 anos, foi chamado de 'vovô'. Sete anos depois, o lutador se sagrou o mais velho campeão, aos 45 anos. Com a evolução da ciência, tecnologia e o treinamento, é cada vez maior o número de atletas que atinge os 40 anos em grande forma. Tom Brady, Manny Pacquiao, Kelly Slater, Fernando Prass, Valentino Rossi são apenas alguns exemplos.

"A fisioterapia usada como prevenção, alimentação correta, suplementos alimentares, métodos individualizados de treinamento e a evolução da humanidade ajudam a aumentar a longevidade no esporte", disse o fisiologista Turíbio Leite de Barros, doutor em fisiologia do esporte. "Tem o lado físico, orgânico e genético, mas não se pode esquecer também do talento. Todos esses nomes são grandes atletas", comentou Laercio Bertanha, professor de Educação Física há mais de três décadas.

Com o passar do tempo, o atleta perde massa muscular, velocidade, agilidade e força, mas, por outro lado, ganha resistência aeróbica, tem a técnica do esporte mais apurada a seu favor e aumenta perfeição na execução dos movimentos.

Segundo os especialistas, esses atletas só atingiram esta idade com grande performance porque cuidaram do aspecto físico durante toda a carreira.

Tom Brady, quarterback do New England Patriots, demonstra a cada temporada uma precisão impressionante em seus passes. Isso não é de graça. Seu físico permanece inalterado aos 41 anos com ajuda de uma rotina espartana. O camisa 12 dorme todos os dias às 20h30 e acorda às 5h30, além de não consumir açúcar, farinha, tomate, pimenta, cogumelos e cafeína.

Em 2017, ele foi o grande líder do Patriots ao virar um placar de 28 a 3 a favor do Falcons para 34 a 28. Dia 3, Brady joga o SuperBowl pela nona vez, em busca do sexto título. "É difícil de acreditar", disse o maior jogador da NFL de todos os tempos.

Campeão em oito categorias do boxe, o filipino Manny Pacquiao, de 40 anos, venceu o norte-americano Adrien Broner, 11 anos mais novo, há duas semanas, manteve o título dos meio-médios (até 66,678 quilos) e ainda prevê mais três anos de ação.

"Nos combates não há como mudar a característica de lutar, mas nos treinos passamos a intensificar os exercícios para aumentar a potência e diminuir os gastos com a resistência", disse o lutador, que prevê pelo menos mais três anos de atividade.

Onze vezes campeão mundial de surfe, o norte-americano Kelly Slater somou poucas lesões em 28 anos de carreira. Aos 46 anos, sente dores nas costas, curadas com longas sessões de massagem. Treina boxe e jiu-jítsu para manter a força e a agilidade, mas soube se adaptar às novas manobras do surfe. Os aéreos, marca da nova geração, foram incorporados. 

O espanhol Jorge Lorenzo, de 31 anos, tricampeão na MotoGP, destacou o que considera um diferencial de Valentino Rossi, prestes a completar 40 anos, na motovelocidade e dono de nove títulos mundiais. "A atitude é muito importante. Quando tem uma atitude passiva ou não quer fazer uma coisa, você está sempre cansado. Quando tem prazer e gosta do que faz, você consegue a energia", explica Lorenzo. "E nisso o Valentino é único."

Na NBA, o 'voador' Vince Carter, aos 42 anos, ainda ajuda o Atlanta Hawks, com 6,8 pontos, em 16,7 minutos por jogo.

DNA

Até quem ainda está longe do 40 já aproveita a evolução da ciência para se cuidar. Um exemplo é Cristiano Ronaldo. Aos 33 anos, o jogador da Juventus recorreu, há três anos, a um teste genético para fazer uma dieta personalizada, prescrita especialmente para as características do seu DNA.

O objetivo é perder gordura e ganhar massa magra. A cada ano o craque perde um quilo. Aos 35 anos, em 2020, o atacante deverá estar com 80 quilos, contra os 85 que acumulava aos 30. "Cada vez mais os atletas de alto rendimento pesam menos para evitar lesões nas suas articulações", disse Laercio Bertanha. (Colaborou Ciro Campos)

 

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Goleiro do Palmeiras, Fernando Prass usa a fisioterapia como forma de prevenção

'Devido aos duros treinamentos e ao excesso de jogos, é preciso uma atenção maior com o corpo', disse o arqueiro de 40 anos

Wilson Baldini Jr, O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2019 | 04h30

Aos 40 anos, Fernando Prass é um dos três goleiros do Palmeiras, atual campeão brasileiro. Renovou seu contrato até o fim do ano e é o atleta com mais idade em atividade entre os quatro principais clubes de São Paulo. "E não penso em aposentadoria", disse, sempre simpático, o goleiro nascido em Viamão, Rio Grande do Sul, que está no Palestra Itália desde 2013, onde conquistou uma Série B, uma Copa do Brasil e dois Campeonatos Brasileiros.

Segundo Prass, um dos segredos de sua longevidade e do alto nível técnico é o trabalho diário de fisioterapia de prevenção. "Já faz um bom tempo, antes e depois dos treinos, faço fisioterapia para evitar as lesões e não para curá-las."

Em 1998, quando começou a carreira no Grêmio, Prass pesava 87,5 quilos, dos quais 12,5 eram de gordura. "A gente terminava o treino e ia comer sanduíche de salsicha e tomar refrigerante no barzinho do Estádio Olímpico."

Foi no Vasco, 11 anos depois, após passar três anos no futebol português, que o goleiro passou a ter preocupação maior com a parte física. "O Juninho Pernambucano era muito ligado nisso e trouxe uns suplementos alimentares que nos ajudaram muito", relembrou Prass, que pesa 93 quilos, mas acumula apenas 9,5 quilos de gordura.

Segundo o goleiro, a carreira do atleta só tem um período longo se os cuidados com o físico forem iniciados nos primeiros anos. "Devido aos duros treinamentos e ao excesso de jogos, é preciso uma atenção maior com o corpo", disse o goleiro.

Prass destaca também o seu lado mental. "Eu estou muito motivado. Gosto de treinar, tanto no campo como na academia. O lado psicológico é muito importante, depois de você passar por um longo período de carreira", afirmou o goleiro, que completa 21 anos de futebol profissional em 2019.

Essa motivação faz Prass apresentar números favoráveis nos testes que são realizados diariamente na academia do Palmeiras. "Os índices de potencia e velocidade são muito bons, em alguns casos melhores do que os anteriores. Isso deixa a gente animado a batalhar para poder participar cada vez mais das competições."

O dia em que Prass tiver consciência de que não é mais útil será a hora de pendurar as chuteiras. "Sei que tenho pouco tempo de futebol profissional, mas também sei que ainda tenho muito a fazer."

 

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Ciclismo ajuda empresário a lutar contra o câncer

Empresário, de 44 anos, pedala 150 quilômetros por semana entre as sessões de rádio e quimioterapia

Wilson Baldini Jr, O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2019 | 04h30

O ciclismo sempre fez parte da vida de Alexandre Pacheco. Primeiro, aos 11 anos, com passeios entre os bairros do Sumaré e Ibirapuera, sem o conhecimento dos pais. Depois com rotas maiores, de 40 a 50 quilômetros à noite, que, segundo ele, deram origem aos 'Night Bikes', grupo de ciclistas que até hoje passeia por São Paulo.

Com o casamento, o filho e a correria do dia a dia, a bicicleta superequipada ficou aposentada por um tempo, mas em 2015, aos 40 anos, o exercício se tornou uma rotina e os resultados passaram a motivar o empresário a levantar todos os dias para pedalar. Uma das recompensas veio após um réveillon, em São Sebastião, quando pedalou 38 quilômetros.

No dia 3 março passado, Alexandre foi diagnosticado com câncer no pulmão. "Não aguentei manter o ritmo em uma subida e cuspi sangue", relembrou. Um tumor de 11 centímetros causou insegurança, medo, mas não o impediu de continuar seu exercício físico preferido. E o amor pelo esporte foi retribuído na hora do tratamento.

As sessões de radioterapia e quimioterapia foram 'combatidas' três vezes por semana com 150 quilômetros de bicicleta. Todo o esforço está dando resultado e o tumor foi reduzido para apenas um centímetro. "O ciclismo me dá força psicológica muito grande", afirmou Alexandre, de 44 anos.

Todo este trabalho médico e psicológico tem a orientação do doutor Raphael Brandão, oncologista clínico especializado no Dana-Farber Cancer Institute/Harvard Medical School.

Alexandre revela que consegue resultados expressivos diante de companheiros bem mais jovens. "O mental é importante para os ciclistas com mais de 40 anos", afirmou o ciclista. "O garoto explode no começo da travessia e abre muita vantagem, mas nos últimos cinco quilômetros fica quebrado. A consciência corporal do veterano é um diferencial para conseguir os melhores resultados." Tudo em nome da saúde.

 

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