Atletas do Tae kwon do tentam receber

Três meses após o acordo com os dirigentes brasileiros do Tae kwon do para o pagamento parcelado dos salários atrasados, os atletas ainda não viram o dinheiro. A Confederação Brasileira da modalidade deve R$ 6 mil aos titulares da equipe - Diogo Silva, Natália Falavigna e Marcel Wenceslau. Com os reservas a dívida é R$ 2.400.Com a Lei Agnelo Piva, o orçamento aumentou de R$ 306 mil para R$ 459 mil. Mas os atletas reclamam que o repasse não tem sido feito. "Em janeiro, nós recebemos um ?cala-boca? de R$ 400. O prazo para o recebimento dos salários atrasados é dia 5 de fevereiro", conta Marriane Hörmmann, reserva de Natália Falavigna, que foi quarta colocada na Olimpíada de Atenas/2004.Os atletas garantem que recebendo ou não o dinheiro devido, no dia 5 de fevereiro, entregarão um documento assinado pelos 19 atletas da equipe olímpica permanente ao Tribunal de Contas com a denúncia de desvio de verba. "Ficamos sabendo que além do repasse da Lei Agnelo Piva, a Confederação ainda recebe R$ 480 mil de bingos. Por que o dinheiro não chega ao nosso bolso?", questiona Marcel Wenceslau, titular da equipe. A desconfiança também deve-se às despesas da entidade no ano passado. Enquanto os atletas acampavam e comiam macarrão instantâneo nas competições, dirigentes se esbaldavam em hotéis de luxo.A dois meses do Mundial de Madri, na Espanha, os atletas ficaram concentrados até sábado no Centro de Treinamento de Alto Rendimento, na cidade paulista de São Bernardo do Campo. Os custos foram bancados pela Prefeitura do município, em parceria com a Secretaria Estadual de Juventude, Esporte e Lazer. Mais uma vez não houve ônus nenhum para Confederação."Pensamos até em acampar em frente ao Comitê Olímpico Brasileiro. Mas não adianta, eles já sabem da nossa situação, mas ninguém faz nada", acrescentou Marriane. Procurado pela reportagem, o presidente da Confederação Brasileira de Tae kwon do, Yong Ming Kim, garantiu que "não há irregularidades na entidade e que tudo será pago em fevereiro."Diogo Silva, quarto colocado na Olimpíada de Atenas, e o primeiro a abrir a boca para o descaso da entidade, diz que só acredita que vai receber os atrasados quando o dinheiro entrar na sua conta. "Está tudo na mesma. Tenho de continuar treinando, fazendo a minha correria, dando as minhas aulas de Tae kwon do e seguindo minha vida. Porque se depender deles, não chego a lugar nenhum", afirmou.

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