Wilton Júnior|Estadão
Marcus Vinicius D'Almeida, do tiro com arco, foi parabenizado pela confederação mundial pela inovação e empreendedorismo Wilton Júnior|Estadão

Marcus Vinicius D'Almeida, do tiro com arco, foi parabenizado pela confederação mundial pela inovação e empreendedorismo Wilton Júnior|Estadão

Atletas empreendedores apostam em suas próprias marcas esportivas

Promessas e campeões buscam maior visibilidade no mercado para se diferenciar e atrair investidores

Gonçalo Junior , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Marcus Vinicius D'Almeida, do tiro com arco, foi parabenizado pela confederação mundial pela inovação e empreendedorismo Wilton Júnior|Estadão

Os atletas olímpicos estão buscando novas formas de gerar receitas e ganhar visibilidade no mercado. Promessas e campeões criam suas próprias marcas esportivas, o que facilita a busca de patrocinadores. A venda de produtos licenciados também ajuda na renda mensal. Além disso, eles promovem eventos para interagir com os fãs e mostrar um pouco do que sabem nas chamadas “experiências”, nova ação de marketing de relacionamento que ganha força no País.

O arqueiro Marcus D'Almeida, principal nome do tiro com arco no País, criou uma marca para estampar bonés, camisetas, moletons, canecas e chaveiros. Denise Carvalho,  mãe e empresária, diz que a venda de produtos ainda é recente, o que dificulta uma totalização no total de rendimentos. Mas ela afirma que os produtos estão vendendo bem. “Além da parte financeira, que me ajuda, eu queria aumentar a minha imagem e ter mais visibilidade. Queria mostrar mais sobre o tiro com o arco e beneficiar todo mundo”, diz o atleta que conquistou a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos, a única na história do País depois de cinco medalhas de bronze no torneio das Américas. Marcus já está classificado para os Jogos de Tóquio

O empreendedorismo de Marcus ganhou importância internacional. A World Archery, confederação internacional de arco, parabenizou o atleta brasileiro de 21 anos pela visão e inovação, considerando-o o primeiro arqueiro no mundo a ter uma marca própria.

Para ter sua marca, um atleta contrata uma empresa especializada em Marketing e Comunicação, que faz desde o logotipo até a venda final para o usuário pela internet. As vendas físicas são realizadas nos eventos corporativos para os quais os atletas são convidados como palestrantes – este é outro nicho do mercado. Para cada item vendido, o atleta ganha em média de 15% a 20%; o restante fica com a própria empresa para custos administrativos e operacionais.

Uma caneca da nadadora Ana Marcela Cunha, tetracampeã mundial e pan-americana da maratona aquática, por exemplo, custa R$ 39,90; uma camisa do boxeador Esquiva Falcão, prata nos Jogos de Londres, em 2012, sai por R$ 89,90.

"A utilização de uma marca é outra forma de o atleta ser lembrado. Além disso, uma empresa (possível patrocinadora) dará muito mais valor para um atleta de nome, com uma imagem consolidada, em relação a outro atleta que não se preocupa com isso", explica Wagner de Rossi Junior, fundador e proprietário da Belivre Design que é detentora da Atletas de Marca, empresa especializada na criação de marcas e que conta com uma dúzia de atletas em seu portfólio entre profissionais, olímpicos e paralímpicos. A empresa planeja agora criar marcas também para atletas amadores. A plataforma vai se chamar Atletas de Futuro.

Para o surfista Carlos Burle, campeão mundial de ondas grandes, sua marca retrata sua própria trajetória como atleta. "Tenho 51 anos e não estou mais competindo. As pessoas que me procuram estão buscando meus valores e um pouco da minha história", diz o pernambucano que acabou de assinar um contrato para dar seu nome para uma linha de sandálias que será lançada no mercado nordestino. “Quando você tem uma marca, as empresas vêem você como um parceiro. Não apenas um veículo de divulgação”, explica o surfista.

Anderson Gurgel, professor de marketing esportivo da Universidade Mackenzie, explica que a criação de uma marca própria é uma forma diversificação do negócio. "São atletas de excelência que não têm janela midiática do futebol. Dentro de uma estratégia de negócios, é importante construir uma marca de sucesso para engajar os torcedores. Faz todo o sentido”, avalia.

No cenário internacional, esse já é um processo histórico. Ainda hoje, Michael Jordan, o mais jogador de basquete de todos os tempos, fatura US$ 145 milhões por ano, sendo US$ 130 milhões apenas com as vendas dos modelos de tênis Air Jordan. O mesmo ocorre com Roger Federer, Rafael Nadal e Serena Willians, (no tênis), Lewis Hamilton e Ayrton Senna, piloto falecido em 1994. “O atleta morre, mas a marca não”, opina Rossi.

 

A criação de marcas próprias também abre espaço para a responsabilidade social dos atletas. A venda das pulseiras dos atletas, um dos itens licenciados mais comercializados, é destinada para instituições filantrópicas.

Um novo movimento no mercado são as chamadas experiências. O atleta participa de eventos com os fãs nos quais dá dicas práticas para iniciantes e compartilha sua experiência. Burle vai lançar o que chama de Burle Experience no Rio, Havaí e Nazaré. Marcus já participou de eventos fechados em que as pessoas aprenderam a usar o arco e flecha. "O atleta percebe o seu potencial e procura maximizar de marketing de relacionamenot e marketing de experiência. Isso está conectado com as mais atuais tendências do marketing esportivo”, explica o professor Gurgel. 

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Startups usam inovação para facilitar investimento no esporte

Empresas criam sites de recompensa para cadastrados e até formas de redirecionar impostos

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2019 | 04h30

A diminuição dos investimentos no esporte brasileiro, na esfera pública e privada, acentuada depois dos Jogos Rio-2016, está obrigando atletas e dirigentes a buscar novas formas de patrocínio.

Em uma delas, os torcedores pagam R$ 29,90 para se cadastrar no site da plataforma de incentivo ao esporte chamada Sigo Esporte. Com essa contribuição, ele recebe o Cartão Time Brasil, cartão pré-pago que usa um programa de recompensas para reverter para o usuário o valor da mensalidade em descontos em lojas parceiras, como cinemas, supermercados e lojas de recarga de celular. Além disso, o torcedor ganha o direito de interagir com os ídolos. O cartão foi desenvolvido em parceria com o Comitê Olímpico Brasileiro.

Outras formas de contribuição dos torcedores são a doação direta ou o consumo de produtos que os atletas indicam no site. Os atletas, por sua vez, são beneficiados com parte das mensalidades e das vendas dos produtos que eles indicam. O engajamento dos atletas nas redes sociais ajuda na mobilização dos torcedores e na captação dos recursos.

A própria assinatura do cartão já é em si uma forma de apoio ao esporte, pois repreenta uma forma de receita adicional para os atletas. Todo atleta cadastrado a uma confederação olímpica poderá divulgar o cartão em sua rede social, estimulando novas adesões e recebendo, a cada assinatura, uma participação financeira. O principal objetivo da iniciativa é ajudar principalmente os atletas em início de carreira. “O projeto me encantou desde o início. Eu já vi muitas pessoas abandonarem o esporte por falta de incentivo. Eu vi isso de perto na minha carreira. A ideia é ajudar os atletas”, diz a oposto Rosamaria, que atua no voleibol italiano. 

O projeto foi criado por Ignácio Aloise, ex-diretor esportivo da Federação Internacional de Judô. Ainda não existem números de adesão dos torcedores em função do lançamento recente da plataforma, mas ela conta com 22 atletas de 15 modalidades, entre eles o ginasta Diego Hypolito, a judoca Rafaela Silva e a surfista Maya Gabeira.

 

A meta é ambiciosa: alcançar seis milhões de esportivas, amadores e profissionais, 41 milhões de consumidores em potencial e 1,5 milhão de estabelecimentos. “Queremos criar uma economia circular. Os esportivas atraem fãs e estabelecimentos, que aderem à plataforma. Com isso, mais atletas também entram e as pessoas usam os meios de pagamento para investir nos atletas”, explica Ignacio.

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'Queria transformar minha identidade em uma marca'

Tetracampeã mundial de Maratonas Aquáticas possui marca que vai de vestuário a papelaria

Entrevista com

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2019 | 04h30

A nadadora Ana Marcela Cunha, tetracampeã mundial e campeã pan-americana de Maratonas Aquáticas, é uma das atletas que possui sua própria marca de produtos licenciados. A linha inclui vestuário, artigos esportivos, materiais de escritório, papelaria, bijouterias, jóias e semi jóias. Em entrevista exclusiva ao Estado, ela afirma que queria transformar sua própria identidade em uma marca. 

Por que você decidiu criar sua própria marca de produtos?

Porque acredito que é importante ter minha própria identidade transformada numa marca.

Hoje, como a marca própria beneficia a sua carreira?

As pessoas, seguidores, fãs, começam aos poucos a interagir e adquirir produtos exclusivos com a minha marca, a procura vem crescendo, ficando mais conhecida.

Qual é o porcentual que a venda dos seus produtos ocupa no levantamento geral dos seus rendimentos (apoios, patrocínios e incentivos)?

É uma coisa recente, no momento o importante é expandir a divulgação e aumentar a procura sem preocupação com lucro, não dá prá querer ganhar agora.  

Quais produtos foram licenciados?

Minha marca está registrada no INPI em sete classes: vestuário, artigos esportivos, materiais de escritório, papelaria, bijouterias, jóias e semi jóias, etc.

Você participou da criação do logotipo? Como foi a experiência?

Sim, participei desde o início, recebi as versões, a apresentação final ficou emocionante, um show!

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