Marko Djurica/Reuters
Marko Djurica/Reuters

‘Atletas precisam de experiência para ter confiança’, diz Dueñas

Espanhol está renovando a seleção feminina e entende que maior rodagem dará confiança ao time

Entrevista com

Jorge Dueñas, técnico da seleção brasileira feminina de handebol

Luis Filipe Santos , O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2017 | 07h00

Jorge Dueñas está há pouco tempo no comando da seleção feminina de handebol. O espanhol, que já comandou e conquistou uma medalha de bronze olímpica em 2012 com a seleção do país natal, assumiu o comando da equipe brasileira em junho. Desde então, ministrou cursos para treinadores e atletas do esporte em várias cidades brasileiras e comandou o time apenas em dois amistosos contra a França – uma derrota e um empate.

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O calendário segue apertado, com a disputa de Mundial na Alemanha a partir de 1.º de dezembro, competição que o Brasil venceu pela primeira vez em 2013, sob a batuta do dinamarquês Morten Soubak.

Nesta entrevista, o técnico fala sobre os primeiros momentos no comando do time e o planejamento que está sendo feito para o próximo ciclo olímpico.

Quais são as principais mudanças (de estilo ou táticas) em relação ao trabalho do antecessor Morten Soubak? E quais pontos fortes devem ser mantidos?

A mudança principal foi que entraram jogadoras novas com diferentes possibilidades. A intenção é contar com um número amplo de atletas que possam participar de forma eficaz. Eu gostaria de praticar uma defesa mais ativa, com mais possibilidade de recuperação de bolas. No ataque com canhota na lateral direita podemos buscar novas ações táticas. O que pode ser mantido é um bom nível de contra-ataque e retorno defensivo.

O que deu errado na derrota no amistoso com a França? Como você pretende corrigir?

No primeiro jogo, tivemos 12 minutos com muitos erros no ataque, que resultaram em gols rápidos para a França. Na segunda partida, jogamos mais equilibrados entre ataque e defesa, e conseguimos empatar.

Quais são os principais pontos a serem melhorados no jogo da equipe?

Ter muitas atletas com possibilidades de jogar minutos sem baixar o rendimento da equipe. Para isso, precisam de experiência para ter mais confiança. Também será importante ter um ataque com mais perigo e que todas as atletas sejam goleadoras. E não sofrer gols fáceis.

Você está planejando a renovação da equipe, com a utilização de jogadoras da base? Se sim, quais?

Algumas jogadoras jovens têm já minutos com a seleção adulta e necessitamos que tenham mais tempo de jogo em partidas internacionais. Vemos como Bruna de Paula, Caroline Minto, Lígia Silva, Bruna Gonçalves intervém nas partidas com efetividade. 

Quais serão as principais adversárias no Mundial?

Estaremos em um grupo difícil, com Rússia (campeã olímpica), Dinamarca, Montenegro, Japão e Tunísia. Será importante jogar bem desde o início do Mundial, classificar entre os quatro primeiros do grupo e chegar bem ao possível cruzamento das oitavas de final com o outro grupo no qual estão Holanda e Alemanha. 

Já foi definido um planejamento a longo prazo visando a Olimpíada de Tóquio?

Estamos ainda à espera da aprovação do calendário de competição internacional. Temos dois Mundiais prévios antes dos Jogos de Tóquio e os Pan-Americanos que classificam para Tóquio, assinalados como muito importantes dentro das datas que são chave para os Jogos Olímpicos. 

O que mais te chamou a atenção durante os seminários promovidos nas diferentes regiões do Brasil? A estrutura do esporte aqui é boa, se comparada à da Espanha e outros países?

Me chamou atenção a extensão do País e o interesse dos treinadores em aprender e melhorar suas jogadoras. Acho que há um grande potencial humano e a dificuldade é poder solucionar as distâncias. Outros países têm uma extensão menor e, por isso, é mais fácil reunir as jogadoras para realizar treinamentos e jogos. 

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