Atlético-MG luta contra a maldição centenária

Clube quer espantar má sorte que abate os aniversariantes

Leonardo Werner, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2008 | 00h00

No dia 25 de março, o Atlético Mineiro completa cem anos. Fosse esse um aniversário qualquer, seria apenas um motivo de felicidade para o torcedor do time que tem o Galo como mascote. Porém, por mistério, azar ou coincidência, poucos foram os clubes brasileiros que não acumularam seguidos fracassos no ano do centenário. Incluem-se nessa lista Flamengo, Botafogo e Grêmio, por exemplo. Pode ser que a maldição do centenário seja só uma lenda. Mas talvez o futebol seja um dos esportes em que as lendas mais se confundem com a realidade.O Flamengo de 1995 é o maior expoente dessa maré de azar sobre os clubes centenários. Estavam no ataque da equipe Romário, herói nacional da conquista da Copa dos EUA, no ano anterior; Sávio, artilheiro criado na Gávea; e Edmundo, o Animal, campeão brasileiro pelo Palmeiras em 1994. Mesmo com as estrelas, não conseguiu conquistar nenhum torneio. Memoráveis, mesmo, foram as derrotas.A mais emblemática delas aconteceu na decisão do Campeonato Estadual. Na final, o time rubro-negro jogava por um empate contra o Fluminense. Era o que acontecia até o fim do segundo tempo, com o placar marcando 2 a 2. Mas, aos 41 minutos, após uma série de dribles de Ailton pela ponta-direita, a bola chutada encontrou desvio na barriga de Renato Gaúcho para desempatar o placar e dar o título aos tricolores.Não foi o único fiasco do time no centenário. O Flamengo também deixou escapar, no Maracanã, o título da Supercopa, torneio que reunia os campeões da Taça Libertadores. A campanha foi boa, com sete vitórias e apenas uma derrota. Mas o time perdeu o campeonato para o Independiente, da Argentina, que acumulara na competição duas vitórias, duas derrotas e quatro empates. No confronto final, 2 a 0 para os argentinos, em Buenos Aires, e 1 a 0 para os brasileiros, no Maracanã.Nas competições nacionais, o Flamengo foi eliminado em casa pelo Grêmio, nas semifinais da Copa do Brasil, e conseguiu um modesto 21º lugar no Campeonato Brasileiro - taça conquistada pelo rival Botafogo.O time da estrela solitária, contudo, também teria seu centenário de desgosto. Não fosse o vice-campeonato da Série B conquistado em 2003, os alvinegros comemorariam os cem anos na Segundona. Mas por pouco o time quase volta para lá, ao final do Campeonato Brasileiro. O Botafogo terminou a competição em 20º lugar, apenas uma posição à frente do grupo rebaixado. O saldo na competição foi de 11 vitórias, 18 empates e 17 derrotas.Na Copa do Brasil, outro vexame. O clube foi eliminado pelo Gama, após empatar por 4 a 4 na capital federal e perder por 3 a 2 no Rio. Era o que se esperava do time, que não conseguiu sequer passar para as finais da Taça Guanabara e da Taça Rio, na disputa do Estadual. Com o Grêmio, o fenômeno foi semelhante, em 2003. O desastre começou no Gaúcho, com um retrospecto digno de time de várzea: quatro derrotas, dois empates, saldo devedor de cinco gols e eliminação na primeira fase da disputa. Os tricolores também foram eliminados de forma precoce na Copa Sul-Americana, após derrotas para o Vasco e para o São Paulo.No Brasileiro, o time, assim como acontecera com o Botafogo, terminou apenas um lugar à frente do último dos rebaixados, o Fortaleza. Era o sinal de que no ano seguinte a situação não seria boa, caso algo não fosse feito. De fato, a consumação da obra se deu em 2005, com o rebaixamento para a Série B.A maldição não é um fenômeno exclusivo dos grandes times. Exemplo disso é o que ocorreu com o Bangu, do Rio, em 2004. Longe da glória do time vice-campeão brasileiro de 1985, a equipe despencou para a Segunda Divisão do Campeonato Carioca no ano do seu centenário - goleado por 5 a 1 pelo América. Há também exemplos internacionais, como o Real Madrid, que, nas comemorações, em 2002, perdeu a final da Copa do Rei em casa para o La Coruña, ouvindo um indigesto parabéns cantado pela torcida adversária. Naquele ano, entretanto, o time conquistou a Copa dos Campeões da Europa, com um gol de placa de Zinedine Zidane. Sinal de que nada, nem a maldição do centenário, é perfeito.

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