Atletismo e natação de olho no Mundial

Do calendário esportivo não constam megaeventos como Jogos Olímpicos, Pan-Americanos ou Copa do Mundo de Futebol. Mas 2005 será o ano dos mundiais de várias modalidades olímpicas, disputas que vão dividir as atenções dos torcedores de todo o planeta com o sorteio dos grupos da Copa da Alemanha, em 2006, a Copa das Confederações, a luta de Michael Schumacher pelo oitavo título na Fórmula 1 e a de Lance Armstrong para vencer a Volta da França pela sétima vez. Para os brasileiros, o Mundial de Atletismo, em Helsinque, na Finlândia, de 5 a 14 de agosto, e o de Desportos Aquáticos, de 17 a 31 de julho - que poderá ser em Berlim, Munique ou Atenas, após o cancelamento da sede em Montreal, por problemas financeiros -, estão entre os mais importantes.Para o atletismo, o Mundial é um torneio de grande destaque, segundo afirma o técnico Nélio Moura. "Extremamente importante, só perde mesmo para os Jogos Olímpicos em termos de repercussão, mas tem o mesmo nível. A IAAF (federação internacional que organiza a modalidade) incentiva a participação de todos os países, convidando até alguns atletas sem índice técnico."Nélio frisa que o objetivo do Brasil em Helsinque é chegar ao maior número de finais possível, entre os oito melhores do mundo, e aposta numa boa atuação dos barreiristas - 110 metros com barreiras. "Acho que vai haver uma disputa boa entre o Redelen dos Santos, o Matheus Inocêncio, o Márcio Simão de Souza e o Anselmo Gomes da Silva para ver quais serão os três brasileiros classificados para o Mundial", diz o técnico. O prazo final para a obtenção dos índices será o dia 26 de julho, com o Meeting de Estocolmo, na Suécia.Nélio não treina mais o triplista Jadel Gregório, destaque do atletismo brasileiro. E o novo treinador, Aristides Junqueira, o Tide, prefere não criar expectativas em torno da atuação de Jadel em 2005. "É importante não colocar muita carga nas costas dele", avisa. A temporada do triplista está um pouco atrasada por causa das mudanças de técnico e de casa - Jadel está morando em Presidente Prudente. "Mas trabalhamos para ele fazer boas marcas no Troféu Brasil, em julho, e no Mundial, que, depois dos Jogos Olímpicos, é a competição mais importante e difícil, tanto que o Brasil não tem nenhuma medalha de ouro", conta Tide.No Mundial de Paris, em 2003, o Brasil foi terceiro colocado no revezamento 4 x 100 metros, com Vicente Lenílson, André Domingos, Edson Luciano e Cláudio de Souza, medalha de bronze que virou de prata por causa da desclassificação da equipe inglesa por doping. Zequinha Barbosa tem um bronze e uma prata nos 800 m, dos Mundiais de Roma e Tóquio, em 1987 e 1991, respectivamente. Claudinei Quirino tem bronze e prata, nos 200 m (1997 e 1999, em Atenas e Sevilha). A prata de Sanderlei Parrela nos 400 m (1999) e os bronzes de Joaquim Cruz, nos 800 m (1983), e Luiz Antônio dos Santos, na maratona (1995), são as outras medalhas.Também para Vanderlei Cordeiro de Lima, medalha de bronze na Olimpíada de Atenas, em 2004, o Mundial será o desafio mais importante do segundo semestre - tem de estar entre os três mais rápidos do País para assegurar lugar em Helsinque. Por causa do desgaste físico, um maratonista não deve correr mais de duas ou três provas na mesma temporada. A prioridade de Vanderlei no primeiro semestre é a Maratona de Lake Biwa (JAP), no dia 6 de março.A realização a cada dois anos do mundial de piscina longa (50 metros), como ocorre no atletismo, acelerou o desenvolvimento da natação. Da edição de Barcelona, em 2003, participaram 160 países. O melhor resultado do Brasil foi o 8º lugar de Fernando Scherer, o Xuxa, nos 50 metros borboleta. Na história dos Mundiais, a natação brasileira tem uma única medalha de ouro, conquistada por Ricardo Prado nos 400 m medley, em 1982, em Guayaquil. E três bronzes, de Rômulo Arantes Jr., nos 100 m costas (Berlim/78) e os dois conquistados em Roma, em 1994, no estilo livre, por Gustavo Borges, nos 100 m, e o revezamento 4 x 100 m (Xuxa, Teófilo Ferreira, André Teixeira e Gustavo)."O Mundial é uma competição tão difícil quanto a Olimpíada, mas disputado num ano de ressaca", define o técnico Alberto Silva, o Albertinho. Embora seja natural que jovens nadadores como Thiago Pereira e Joanna Maranhão pensem em consolidar o desempenho dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, quando foram à final, o ano é de "alicerce para os próximos quatro", observa Albertinho."Para a Flávia Delaroli seria bom, daria confiança estar numa final no Mundial, mas este ano é de trabalhar deficiências, de corrigir problemas, visando ao Pan-Americano do Rio, em 2007."O técnico considera primordial que a natação brasileira esteja forte e bem preparada para o Pan. "É preciso ganhar medalhas em casa. Além do mais, será seletivo, vai valer como índice para a Olimpíada de 2008, em Pequim."A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) vai se reunir com os técnicos para discutir a preparação para o Mundial em fevereiro, em Belo Horizonte, durante a final da Copa do Mundo.O Troféu Brasil de Natação, de 3 a 8 de maio, é a última prova para que os atletas obtenham índice para o Mundial. Estão classificados Flávia Delaroli (50 m livre), Joanna Maranhão (200 e 400 m medley), Thiago Pereira (200 m medley), Gabriel Mangabeira (100 m borboleta), Fernando Scherer (50 m livre) e Rebecca Gusmão (50 m livre).

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