Atletismo ?salva" Bruno Pacheco

O velocista carioca Bruno Pacheco, de 22 anos, entrou no atletismo por medo de perder a vida no tráfico. Criado no morro do Boréu, zona norte do Rio de Janeiro, foi influenciado por amigos a entrar na vida do crime e atuar como "negão" por dois anos. Ele explica: "negão é um dos caras responsáveis pelo movimento, um dos cabeças." Nesta sexta, às 16h25, Bruno que é da equipe Brasil Telecom fará a final dos 200m rasos e está classificado com o segundo melhor tempo (21s16), empatado com Jorge Sena (Ulbra/Brasil Telecom). Basílio Emídio de Moraes (BM&F) fez o melhor tempo: 20s97. Na quarta posição estão empatados André Domingos e Vicente Lenílson , ambos da Brasil Telecom, com 21s19. Na prova, Bruno, Vicente, André e Basílio têm o índice A para o Mundial de Helsinque, na Finlândia, em agosto - apenas os dois primeiros colocados na prova garantem vaga na competição. "Não tem favorito. Vou correr forte para garantir vaga. Hoje corri solto para classificar, estou inteiro", disse Bruno após a prova. A carreira de Bruno começou há seis anos na pista da Prefeitura de Duque de Caxias. Nesta época já atuava no tráfico e foi salvo pelo técnico Alexandre Reis, do Vasco da Gama, onde treinou até 2002. Foi convidado por Jayme Netto para treinar em Presidente Prudente, na equipe Brasil Telecom. "Aposto no Bruno, ele tem um potencial imenso. É o melhor atleta entre os jovens. Quando a minha geração parar ele vai representar muito bem a gente", acredita André Domingos, de 32 anos, que é companheiro de equipe de Bruno. Na mudança para o interior paulista, Bruno trouxe a família toda (os pais e as três irmãs). "A presença da família é muito importante. E o Jayme acaba sendo meu segundo pai, até hoje ele bate na porta de casa de madrugada para saber se estou mesmo descansando", conta. No Rio, ele não levava os treinos a sério e vivia nos bailes funk. "Agora, estou mais disciplinado e tenho fã clube lá no Boréu. Quando vou ao Rio meus amigos nem me deixam sair.... ir para gandaia." Filho de pai desempregado e mãe dona-de-casa, ele não entrou para o tráfico porque passava necessidade. "Foi por aventura mesmo.... todo dinheiro que ganhava eu gastava com baladas, foi tudo embora. O atletismo foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida." Outro destaque da nova geração nos 200m foi Basílio - paraibano de 23 anos. Começou aos 15 anos no atletismo depois de se destacar no futebol como ponta esquerda no time Greco Comunitário da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa. Aos 17 anos, já treinava no Vasco do Rio de Janeiro, onde treinou por três anos. Sem receber salário, agarrou o primeiro convite: "O Nakaya (Katsuhico Nakaya, técnico da BM&F) me convidou e mudei para São Paulo. Em cinco meses de treino consegui ir para Olimpíada de Atenas", conta. Na Grécia, no ano passado, correu os 200m para 21s14 e não se classificou para final e não recorda qual foi a sua colocação e foi reserva do 4X100m. Hoje, correu para se classificar. "Não adianta fazer força agora. A expectativa para a final é a melhor possível, quero a vaga para Finlândia." Basílio divide a primeira colocação do ranking da Confederação Brasileira de Atletismo com André Domingos, com 20s55. "Meus adversários vão ter de correr muito amanhã, porque vim para ganhar. Não treino à toa oito horas por dia, vai ser briga de macaco velho, com todo respeito ", falou Domingos.

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