Atletismo sem medalha, mas com boas perspectivas no futuro

Delegação brasileira fica sem pódio no Mundial de Doha, mas resultados mostram um bom caminho até Tóquio

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2019 | 18h10

Caro leitor,

Na nossa viagem rumo aos Jogos Olímpicos de Tóquio, o Mundial de Atletismo, que foi disputado em Doha, no Catar, é uma escala importantíssima. O atletismo é, ao lado da natação, um dos esportes mais nobres do programa olímpico. O time brasileiro voltou do Catar sem nenhuma medalha na bagagem, mas com boas perspectivas para o futuro.

A delegação de 41 atletas não teve  um pódio na competição, mas apresentou resultados melhores do que nos eventos internacionais anteriores, o que deixa os dirigentes da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) animados para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.

Darlan Romani, o mais cotado do time nacional para brilhar no Mundial, acabou ficando na quarta posição no arremesso do peso. Ele teve como principal marca no evento 22,53m, oito centímetros abaixo de sua melhor marca. Mas a prova foi de um nível tão alto que o pódio ficou com atletas que arremessaram 22,90m ou mais.

Essa prova foi considerada a mais forte da história do arremesso do peso e todos os atletas do pódio entraram no ranking das melhores marcas de todos os tempos. O recorde mundial é 23,12m do norte-americano Randy Barnes, em 20 de maio de 1990. Já a segunda melhor marca da história foi de Ulf Timmermann, que fez 23,06m em 22 de maio de 1988.

No Mundial, Joe Kovacs (Estados Unidos) levou o ouro ao fazer 22,91m e empatar com o italiano Alessandro Andrei como a terceira melhor marca de todos os tempos. A prata e o bronze foram de Ryan Crouser (EUA) e Tom Walsh (Nova Zelândia), respectivamente, ao marcarem 22,90m. Com isso, apesar da boa marca, o brasileiro Darlan não foi para o pódio.

Quem também bateu na trave foi Erica Sena, da prova de 20 km da marcha atlética. Ela ficou na quarta posição, atrás de três chinesas. E o revezamento 4 x 100m masculino também chegou a uma posição do pódio, mas marcou 37s72, quebrando o recorde sul-americano. Isso mostra que, mesmo sem medalhas, os resultados foram bons.

O quarteto de velocidade foi formado por Rodrigo Nascimento, Vitor Hugo dos Santos, Derick Silva e Paulo André. Eles ficaram atrás apenas dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Japão. Você já leu aqui no Estadão, em maio, que o time brasileiro tinha conquistado a medalha de ouro no Mundial de Revezamentos. Na ocasião, foi mais lento do que na prova em Doha..

Cabe destacar também Alison dos Santos, dos 400m com barreiras. Ele foi sétimo lugar na final da prova, mas fez a melhor marca de sua vida. Aos 19 anos, ele mostra um potencial enorme para o futuro e vem conseguindo ser cada vez mais rápido numa prova extremamente técnica. Os resultados dão um certo ânimo e que na próxima vez apareçam medalhas para coroar o trabalho dos atletas.

Paulo Favero

Paulo Favero

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