Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

'Atualmente no futebol tem muita sem-vergonhice', critica Luiz Felipe Scolari

Técnico diz que Palmeiras foi bonzinho ao negociar com Ronaldinho Gaúcho e coloca culpa pelo fracasso em Assis

Daniel Akstein Batista, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2011 | 00h00

Luiz Felipe Scolari não ficou nada surpreso com o resultado da negociação entre Palmeiras e Ronaldinho Gaúcho, mas nem por isso deixou de lamentar. O treinador chegou a ser informado no dia 2 que o craque jogaria no time alviverde, mas logo depois recebeu a resposta negativa. Na sua opinião, Assis, irmão e empresário do jogador, foi o grande vilão da história. E o Palmeiras pecou por ser "honesto demais."

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O caso Ronaldinho foi o assunto mais comentado por Felipão nesta segunda-feira, na sua primeira entrevista do ano. E ele ironizou. "Parece a novela Passione. Mata, volta ressuscita e tem italianos no meio. E ninguém sabe o que vai acontecer", brincou, comparando com o folhetim da Globo e sem saber ainda do acerto de Ronaldinho com o Flamengo. "Achei correto o Palmeiras ter desistido, aconteceu uma série de coisas absurdas. Eu conheço (a forma de trabalho de Assis), já vivi essa situação em julho (do ano passado) e não me deu dor de barriga nenhuma."

Felipão não tem dúvidas em afirmar que a negociação com Ronaldinho só não foi adiante por apenas um motivo. "Quem não cumpriu com a palavra foi o Assis", apontou. O treinador, porém, viu um descuido do clube: acreditar na palavra de alguém em quem não poderia confiar. "O Palmeiras foi correto demais. É muita gentileza, é ser muito cavalheiro com as coisas. Atualmente no futebol tem muita sem-vergonhice", falou. "Um dia vão aparecer as luzes e vocês vão ver o que aconteceu. É só esperar", declarou, sem dar detalhes dos problemas.

No dia 2, domingo, dois dirigentes do Palmeiras e um empresário foram ao Rio conversar com Assis. Após a conversa, todos achavam que o acordo estava selado. "Eles deviam ter assinado (algum documento) e esse foi o erro do Palmeiras", lamentou o treinador.

Sem Ronaldinho, o clube vai começar o Estadual com poucas caras novas. O atacante Maikon Leite tem pré-contrato assinado, mas a diretoria tenta trazê-lo do Santos já agora, e não em junho. Hoje, é aguardado o também atacante Adriano, ex-Bahia e que foi envolvido numa troca com o Fluminense por Edinho. O zagueiro Thiago Heleno, ex-Corinthians, está próximo de acerto.

Segundo Felipão, Valdivia segue no Palmeiras sem nenhum problema. Na semana passada, o chileno disse não ser amigo do treinador e que a relação dos dois é apenas profissional. "Eu prefiro assim mesmo", falou o técnico. "Ele voltou normalmente e vai jogar."

O clube acertou ontem dois amistosos na Espanha. O primeiro dele será em 29 de março, contra Bétis ou Mallorca (vai ser definido manhã) e, dois dias depois, o adversário será o Espanyol, em Barcelona.

Política. Felipão pediu ontem para que os candidatos à presidência (Salvador Hugo Palaia, Paulo Nobre e Arnaldo Tirone) deixem as desavenças de lado. "Se não for assim, vão continuar brigando. Que eles esqueçam as vaidades pessoais", falou, temendo pelo futuro do clube. A eleição será no dia 19 e Tirone, da oposição, leva vantagem.

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