Ausência de Tergat empolga brasileiros

O queniano Paul Tergat, um "atleta da casa" depois de conquistar o público de São Paulo com o pentacampeonato (1995, 1996, 1998, 1999 e 2000) da São Silvestre não estará na 77.ª edição da corrida de rua mais tradicional da América do Sul. E essa ausência - Tergat alegou problemas pessoais (segundo seu empresário tem um irmão que está muito doente), foi o principal assunto entre os corredores brasileiros, nesta sexta-feira, na entrevista realizada pelos organizadores. Como será a corrida desta segunda-feira sem o favorito principal? "Aberta", responde a maioria dos brasileiros. Marílson Gomes dos Santos, 24 anos, quarto colocado em 1999, o brasileiro mais bem colocado, opina que a tendência é a prova ser mais equilibrada. "O Tergat é o favorito em qualquer corrida do mundo porque é um fora-de-série. Vou tentar ficar no pelotão principal." Daniel Lopes Ferreira, de 24 anos, acha que a "prova está aberta". Na sua opinião, Tergat, conhecedor do percurso, com subidas e descidas íngremes, e das características da corrida, normalmente disputada sob forte calor e umidade, era uma referência - ditava o ritmo, era o atleta a ser seguido. "Tinha a responsabilidade de vencer, mas agora a prova está aberta." Daniel, sexto colocado no ano passado, acha que nenhum outro fundista tem, na São Silvestre, o mesmo respeito de Tergat. Casal - Daniel teve apoio especial na preparação para a prova deste ano, o da mulher Fabiana Cristine da Silva, de 23 anos, quinta colocada na corrida do ano passado. Os fundistas conheceram-se há seis anos em uma corrida e o interesse comum pelo atletismo terminou em casamento. Este ano os dois, atletas do Pão de Açúcar/ Funilense/SC Sul, prepararam-se na altitude de Campos do Jordão e em Tremembé, onde moram. Fabiana largará às 15h15 desta segunda-feira, em frente ao Masp, na Avenida Paulista. O marido Daniel largará às 17 horas. Mesmo em momentos de descontração, em casa, o atletismo é o assunto principal do casal. "Sempre falamos sobre esporte, até na hora de dormir. Damos conselhos, tentamos aceitar as críticas e ouvir a opinião do outro", afirma Fabiana. Especialista em pista, nos 1.500 e nos 5.000 m, acha que para "ganhar a corrida é preciso acordar em um bom dia, ou melhor, no dia de São Silvestre". Do frio - Para quem vem de um frio de 20 graus abaixo de zero se houver sol e calor o clima será a preocupação principal da russa Olga Romanova. Embora seja campeã européia dos 10 mil metros, nunca correu uma prova de 15 km e nem conhece o percurso da São Silvestre. "Não sei como vou me sair. Fui convidada e queria conhecer o Brasil."

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