Austrália, o país da natação nos Jogos

A natação do Brasil está separada de potencias olímpicas mundiais como Estados Unidos e Austrália, que geram fenômenos como Michael Phelps e Ian Thorpe, por um abismo profundo. O futebol é a comparação que os nadadores usam para explicar o que ocorre. "A natação é o futebol dos australianos, ao invés de discutir quem estava impedido, os torcedores conversam sobre se o cara passou forte. Pena, que no País do futebol, o único esporte que não veio representar o País foi o futebol (masculino)", afirma Eduardo Fischer, que treina e vive em Joinville (SC), mas tem planos de mudar para algum país da Europa ou dos Estados Unidos na próxima temporada. Carlos Jayme, que mora nos EUA há cinco anos, integrante do revezamento 4 x 200 metros, que hoje ficou em 9.º (7min22s70) e a menos de um segundo da final, também busca exemplo do futebol. "O apoio que se dá ao futebol no Brasil é o que se dá a natação nos Estados Unidos."Coaracy Nunes, o presidente da Confederação Brasileira de Deportos Aquáticos observa que, na Austrália, o Ian Thorpe é o Romário - aparece em anúncios espalhados por outdoors em todo o país, na tevê. Os esportes aquáticos australianos, segundo o dirigente brasileiro, trabalham com um orçamento de US$ 100 milhões anuais, 2% do que tem a CBDA - R$ 6 milhões por ano, algo em torno de US$ 2 milhões. "O orçamento de Portugal, que não tem nenhuma tradição, para o esporte é de US$ 20 milhões", afirma Coaracy.Eduardo Fischer, de 24 anos, encerrou sua participação individual nos Jogos Olímpicos de Atenas com o melhor resultado pessoal nas duas provas que nadou. Nos 100 metros, estilo peito, evoluiu de 2min18s66 para 2min16s04, bateu o recorde sul-americano, mas foi o 11.º e acha que poderia ter nadado melhor. Hoje, ainda melhorou sua marca pessoal nos 200 m, peito, de 2min18s66 para 2min16s04, tempo que o colocou no 24.º lugar.Distância - Os brasileiros melhoram seus tempos, mas ficam distante das potências mundiais. "Estou bem contente com meus resultados, mas pensar atualmente no Brasil como potência mundial é uma utopia. Falta muito, mas se a meta for se transformar em potência é preciso encarar o esporte como profissional, com política de incentivo, parcerias com universidades e escolas, apoio do poder público, médicos que estudem nutrição, estudos de biomecânica e descobrir talentos que possam ser trabalhados", resume Fischer.Carlos Jayme, de 24 anos, medalhista de bronze no 4 x 100 m em Sydney (com Gustavo Borges, Fernando Scherer e Edvaldo Valério), que estuda administração na Universidade da Flórida enquanto treina tendo bolsa como nadador, observa que no Brasil falta, inclusive, infra-estrutura física. Afirma que a única piscina de 50 metros - e mesmo assim nem sempre a água está boa - adequada para a realização de competições como o Troféu Brasil é a do Parque Aquático Júlio Delamare. "Na Flórida tem umas 20 piscinas de 50 metros nessas condiões. A competitividade entre os países reflete o apoio que é dado ao esporte."Apenas para exemplificar o quanto é grande a diferença e a infra-estrutura disponível para o nadador americano Fischer observa que, na sua universidade, durante o treinamento tem alguém para colocar água na garrafa dos nadadores, para puxar o elástico usado para forçar o treinamento ou para medir a temperatura da água. "A Mariana (Brochado) treina na piscina fria do Flamengo", afirma.Apesar de a natação brasileira ter crescido, do apoio da CBDA e do surgimento de novos talentos, como Joanna Maranhão, Kaio Márcio, Lucas Salatta e Thiago Pereira, Carlos Jayme acha que mesmo o intercâmbio está muito concentrado apenas em anos finais de preparações olímpicas.

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