Autódromo de Jacarepaguá dará lugar a centro olímpico

Presidente do COB confirma que pista será desativada, mesmo se o Rio não sediar a Olimpíada de 2016

Bruno Lousada, O Estado de S. Paulo

08 de janeiro de 2008 | 17h25

O Parque Aquático Júlio Delamare e a pista de atletismo Célio de Barros, que fazem parte do complexo do Maracanã, e o Autódromo de Jacarepaguá serão demolidos. O anúncio foi feito nesta terça-feira pelo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, durante a apresentação da candidatura do Rio de Janeiro à sede da Olimpíada de 2016, no Museu de Arte Moderna (MAM). Veja também:  Rio defende experiência de Pan em nova investida olímpicaA medida independe da conquista ou não do direito de a cidade carioca receber os Jogos Olímpicos, pois integra o planejamento para a Copa 2014, a ser realizada no Brasil, e já causa polêmica. Nuzman garante que a diretoria da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) já se comprometeu a assinar um contrato no qual autoriza a destruição do autódromo, que daria lugar ao Centro Olímpico Nacional de Treinamento. No entanto, o presidente da Federação de Automobilismo do Estado do Rio de Janeiro (FAERJ), Djalma de Faria Neves, disse que um acordo está muito longe de ser fechado. Ele acha até que o presidente do COB foi precipitado. "Nem sabemos quem arcará com os custos desse novo autódromo (que seria construído em outro ponto da cidade)." No caso do Parque Aquático Júlio Delamare e da pista de atletismo Célio de Barros, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), mudou de opinião. Logo após os Jogos Pan-Americanos, ele pediu desculpas por ter sido favorável à demolição das duas tradicionais instalações para a construção de estacionamento. "Fui infeliz na declaração. Vários atletas reclamaram", disse o governador, na época em que assinou os documentos necessários à formalização da candidatura carioca à sede dos Jogos de 2016. Hoje, porém, mostrou-se de acordo com o pacote de medidas apresentado por Nuzman, que prevê que os novos Júlio Delamare e Célio de Barros serão construídos a poucos metros do local atual. O presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Coaracy Nunes, presente à cerimônia, concordou com a mudança, apesar de insistir que só permitirá a destruição das instalações quando as novas estiverem prontas. "Não quero ser a pessoa que vai inviabilizar a Copa do Mundo ou as Olimpíadas. Mas só nos mudaremos quando as obras, que devem começar em 2010 ou 2011, terminarem." Segundo Nuzman, o custo inicial para a construção e ampliação dos locais de competição é de US$ 508 milhões, pois 56% deles já estão prontos. Os investimentos governamentais em infra-estrutura, principalmente em transportes, chegariam a 2,6 bilhões até 2016. O caderno de postulação do Rio será entregue sexta-feira ao Comitê Olímpico Internacional (COI) em Lausanne, na Suíça. Em junho de 2008, o COI vai anunciar as cidades candidatas a sediar os Jogos. O país vencedor será conhecido em 2 de outubro de 2009.

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