AUTOMOBILISMO NACIONAL PERDE BARÃO, UM DE SEUS PIONEIROS

Radialista, promotor e empresário, o pai do bicampeão mundial de F-1 Emerson Fittipaldi morre no Rio aos 92 anos, e deixa um legado já usufruído por várias gerações

LIVIO ORICCHIO / ZURIQUE, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2013 | 02h05

Memória

Emerson Fittipaldi é um pioneiro. Foi o primeiro piloto brasileiro a vencer uma etapa da Fórmula 1, em 1970, e a conquistar o Mundial, em 1972. Mais: o primeiro a ser campeão na Fórmula Indy, em 1989, e a celebrar duas vitórias na corrida mais famosa do mundo, as 500 Milhas de Indianápolis, em 1989 e 1993.

Esse caráter de pioneirismo faz parte do patrimônio genético de Emerson. E nesse sentido nenhuma obra teve a importância para o automobilismo da deixada por seu pai, o radialista, promotor e empresário Wilson Fittipaldi, carinhosamente conhecido como Barão, que morreu ontem, aos 92 anos, no Hospital Copa D'Or, no Rio, onde estava internado desde o dia 25. "Posso ter passado o amor pela velocidade aos meus filhos, mas não o talento", afirmou Barão, em entrevista ao Estado, em 2005.

Em 1940, a construtora Auto Estrada S/A fez o Autódromo de Interlagos. "Eu ia lá narrar as corridas para a Rádio Excelsior", contou Barão, que também foi piloto. "Eu conhecia o dono de um restaurante próximo que me emprestava a linha telefônica para transmitir." O então proprietário da Rádio Panamericana (hoje Jovem Pan), Paulo Machado de Carvalho, o convidou para trabalhar com ele. A relação durou até 1980.

Foi Barão o primeiro radialista a transmitir um Grand Prix do exterior. Chico Landi havia vencido o GP de Bari de 1948, com Ferrari, marca criada um ano antes pelo mais tarde comendador Enzo Anselmo Ferrari. A repercussão foi tão grande que Carvalho enviou Barão para lá no ano seguinte. "Levava dois gravadores imensos, impensáveis nos dias de hoje."

Logo depois, a visão e o pioneirismo do Barão foram decisivos para o Brasil conquistar tanto sucesso nas pistas. "Em 1952, a Auto Estrada estava cansada de não ganhar nada com o investimento em Interlagos e loteou a área de um milhão de metros quadrados", lembrou. "Consegui me infiltrar na Secretaria de Esportes, o que ajudou a Prefeitura adquirir o autódromo e salvá-lo", contou. "Na viagem para cobrir a corrida do Chico e assistir à largada da Mille Miglie, em Brescia, disse a mim mesmo que promoveria algo semelhante no Brasil, mas em vez de ser pelas estradas do País, seria em Interlagos, as Mil Milhas Brasileiras."

Barão foi um dos responsáveis pela criação da Confederação Brasileira de Automobilismo. Em 1972 celebrou o primeiro título de Emerson, com vitória, pela Lotus, em Monza. "Larguei tudo e saí correndo para abraçá-lo." Além dos filhos Emerson e Wilson, tornaram-se pilotos profissionais o neto Christian e o bisneto Pietro Fittipaldi.

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