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Autor do disparo de sinalizador se apresenta nesta segunda-feira à polícia

Integrante de 17 anos da Gaviões da Fiel vai assumir a responsabilidade pelo incidente que matou o boliviano Kevin Beltrán em Oruro

RAPHAEL RAMOS, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2013 | 02h04

SÃO PAULO - O menor H. A. M., de 17 anos, vai se apresentar hoje à Vara da Infância e da Juventude de Guarulhos como autor do disparo do sinalizador que matou Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, na última quarta-feira, na partida entre Corinthians e San Jose em Oruro pela Libertadores. De acordo com o advogado do garoto e da Gaviões da Fiel, Ricardo Cabral, ele é sócio da organizada há dois anos e resolveu confessar o crime por livre e espontânea vontade.

"O garoto queria se apresentar à polícia já lá na Bolívia, mas os Gaviões acharam que o melhor era entregá-lo de volta para a família aqui no Brasil para ele decidir com os pais", disse o advogado ao Estado.

Com a confissão de H.A.M., Cabral espera que ainda hoje os 12 corintianos que estão detidos na Bolívia desde quarta-feira sejam liberados e que a Conmebol aceite o recurso apresentado pelo Corinthians para anular a liminar que proíbe a presença de torcedores do clube nos jogos da Libertadores durante 60 dias. Entre os corintianos presos está Tadeu Macedo de Andrade, diretor financeiro da Gaviões.

"Quando essas decisões (prisões e punição ao clube) foram tomadas não se sabia quem havia sido o responsável pelo disparo. Agora que ele já foi identificado, acredito que essas penas devem cair e ele é quem deve responder", afirmou o advogado.

H. A. M. chegou sábado ao Brasi. Ele foi e voltou de ônibus para a Bolívia em uma caravana organizada pela organizada. Ainda segundo Cabral, o menor levou seis sinalizadores escondidos em uma mochila sem que os demais sócios que viajaram com ele tivessem conhecimento.

A estratégia da defesa será tentar livrar a Gaviões da Fiel de qualquer responsabilidade sobre H. A. M. e alegar que o disparo foi acidental. A caravana da Gaviões para acompanhar a estreia do Corinthians na Libertadores foi comandada pelo presidente, Antônio Alan Souza Silva, conhecido como Donizete. No estádio Jesus Bermudez ele chegou a conversar com policiais bolivianos para tentar impedir que os 12 torcedores fossem detidos.

"Ao contrário de outros tipos de sinalizadores, que têm de estar virados para cima, o modelo que ele usou é diferente e pode disparar em qualquer posição. A intenção não era acertar a torcida adversário, tanto é que o sinalizador passa muito perto dos outros torcedores do Corinthians e poderia tê-los atingido", disse Cabral.

Kevin foi atingido por um sinalizador marítimo, que quando disparado chega a atingir a velocidade de 300 km/h. O artefato atravessou o olho direito e perfurou o crânio do garoto.

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