Aventura do treinador em Joinville está ameaçada

Administrado pela WL Sports, empresa de Luxemburgo, time catarinense tem péssimo desempenho no Estadual

Martín Fernandez, O Estadao de S.Paulo

23 de fevereiro de 2008 | 00h00

A empreitada de Vanderlei Luxemburgo no Joinville pode estar perto do fim. A WL Sports, empresa do treinador requisitada para dar "assessoria técnica" ao clube de Santa Catarina, não consegue atingir as expectativas. O time amarga a oitava posição no Campeonato Catarinense, que tem 12 clubes, e está longe até de conquistar uma vaga na Série C do Brasileiro.Em dez jogos no Estadual, o Joinville perdeu cinco, empatou dois e venceu três. Tem 11 pontos, metade do aproveitamento dos líderes Figueirense e Avaí e atrás de Metropolitano, Chapecoense, Atlético de Ibirama e Guarani, adversários por uma vaga na Série C.Ante os maus resultados, a nova gestão do clube, que exalava modernidade quando anunciou a parceria, adotou a mais velha das práticas no futebol: demitiu o treinador. Caiu o badalado (para os padrões catarinenses) Waldemar Lemos e chegou Agenor Piccinin, campeão em 2007 com a Chapecoense e que já treinou dois times só neste ano. Caso não reverta o quadro no segundo turno do Estadual (quando a pontuação é zerada e todos voltam a ter as mesmas chances), a bronca não vai sobrar só para o treinador. "Aí vamos fazer uma séria avaliação para ver se vale a pena continuar com a parceria", avisa o presidente, Adelir Alves. "Não vejo nenhum problema em interrompê-la antes do previsto."O acordo com a WL Sports - que nunca foi formalizado em contrato - prevê dois anos de trabalho. A empresa indica a comissão técnica, alguns jogadores e administra o futebol. O clube entra com a vitrine. O fracasso dos primeiros meses já motivou mudanças no acordo."Eles tinham carta branca para contratar", conta o presidente. "Fiz isso porque queria proteger o pessoal da WL dos palpiteiros que infestam o clube. Mas não deu certo e agora queremos ser informados de tudo."O Joinville recorreu à parceria com a WL após uma série de fracassos. Fundado em 1976 por meio da fusão dos outrora tradicionais América e Caxias, o Joinville Esporte Clube (JEC) nasceu como uma potência. Ganhou nove dos primeiros dez Estaduais que disputou. No fim dos anos 80 perdeu o patrocinador que o acompanhava desde a origem e caiu numa crise da qual nunca mais saiu. Em 2004, ano em que ganhou um belo estádio de presente do governo estadual, disputou a Série B pela última vez e foi rebaixado. Em 2007, terminou o Catarinense em penúltimo lugar e só não caiu porque venceu uma repescagem. O último título foi em 2001.O representante de Luxemburgo no Joinville é Ocimar Bolicenho, amigo desde os tempos de Paraná Clube, nos anos 90. "A parceria já trouxe muitos resultados fora de campo, na estrutura do clube." Ele diz que o papel de Luxemburgo é apenas de "consultor" e que a WL não ganha nada. "Ele contribui apenas com o know-how. É uma questão ideológica dele, profissionalizar um clube brasileiro."

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