Aventura: doença e mistério

Alexandre Freitas, idealizador das corridas de aventura no Brasil, está internado desde o fim de outubro, quando terminou o Eco-Challenge, a maior competição de corrida de aventura do mundo. As suspeitas recaem sobre um peixe que teria comido, com a bactéria ?angeos trongilyus cantenensis? ? que o levou ao coma. Alexandre está internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, mas nenhuma informação sobre seu estado de saúde é divulgada. A família do atleta está abalada e não dá entrevistas. A única informação é de que ele está ?em recuperação?. O mistério envolvendo o atleta é tão grande uma equipe de reportagem da Rede Globo foi expulsa do hospital ao tentar fazer uma matéria sobre o caso. A mulher de Alexandre ameaça processar os veículos que divulguem qualquer informação errada sobre o estado de saúde do aventureiro.Amigo de Alexandre, o médico Clemar Corrêa da Silva, que trabalha diretamente com atletas de corridas de aventura, não pode falar à imprensa.Um dia após o término da competição disputada nas Ilhas Fiji, o atleta de 39 anos seguiu com a mulher para a Austrália. Lá, passou mal e foi internado por causa de infecção.?O Alexandre viajou para a Austrália com a mulher Elza e estava bem. A doença que pegou geralmente acontece pela ingestão de frutos do mar?, conta Eduardo Coelho, um dos integrantes da equipe de Alexandre, a EMA Brasil, que terminou o Eco-Challenge no 19º lugar. ?Geralmente a gente comia o que tinha na mochila, ou o que havia nos vilarejos em que parávamos?, emenda o companheiro de equipe de Alexandre.A principal suspeita coincide com o relato de Eduardo: de que a rara bactéria estivesse em um peixe contaminado.Outra competidora brasileira também sofreu com uma infecção: Eleonora Audrá, que estava em outra equipe. Durante as provas, ela sofreu um corte no pulso esquerdo e ficou alguns dias internada nas Ilhas Fiji porque teve o sistema imunológico fragilizado com o corte. Sua equipe, a Atenah/AXN, desistiu da competição.EMA - Em 1997, o empresário Alexandre, que trabalhava há 17 anos com finanças, participou de uma corrida de aventura na Nova Zelândia. Gostou tanto que resolveu implantá-la no Brasil. Passou a se dedicar integralmente ao novo projeto e criou a Sociedade Brasileira de Corridas de Aventura, que começou a organizar a primeira corrida de aventura brasileira, a Expedição Mata Atlântica ? EMA. Dentro do projeto, outros segmentos foram desenvolvidos ? a EMA Escola, a EMA Minicorridas de Aventura e o Circuito Brasileiro de Corridas de Aventura. Também são realizados workshops, palestras e cursos. A equipe EMA Brasil, a mesma que Alexandre representou no Eco-Challenge, não repete a mesma formação nos eventos que participa. No site das corridas de aventura (www.corridasdeaventura.com.br), o atleta escreveu o porquê da alternação constante do grupo: ?Muitos competidores têm a oportunidade de adquirir novas experiências, visto que a EMA Brasil recebe convites para participar das mais importantes corridas de aventura do mundo. Atualmente, no Brasil, existem diversos competidores no mesmo nível de desenvolvimento, todos capazes de representar o País em competições internacionais.?A primeira prova da equipe foi a Southern Traverse 98, na Nova Zelândia. A equipe tinha Eduardo Coelho, Marcelo e Simone Maciel. No ano seguinte, a equipe conquistou o 16º lugar na mesma prova, com Alexandre Freitas, Eduardo Coelho, Júlio Pieroni e Marcelo Maciel.

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