(Ba Xi - ou Brasil em chinês)

De acordo com a lógica do mandarim, língua oficial da China, o Brasil será a 39.ª delegação a desfilar na abertura

Amanda Romanelli, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2008 | 00h00

Um peculiar método relacionado aos ideogramas chineses definiu a ordem de entrada dos 205 países participantes dos Jogos de Pequim na cerimônia de abertura, que começará pontualmente às 8h08 da noite, em horário local, no dia 8 de agosto.Ao contrário do ordenamento tradicional - por ordem alfabética, considerando as letras ocidentais -, os chineses preferiram organizar a entrada das delegações de modo distinto: contabilizando o número de traços que formam o primeiro ideograma correspondente ao nome de cada país convidado. De acordo com Liang Yan, há 17 anos no Brasil e professora da escola de mandarim Chinbra, a ordenação de palavras no idioma pelo número de traços é comum. "Obedece a ordem do menor para o maior. Mas a organização poderia ter sido feita também em relação à pronúncia", explica. Não é inédita, porém, a iniciativa de ordenar a entrada dos países segundo o alfabeto local. Em Atenas-2004, os organizadores decidiram utilizar a ordem das letras gregas.A tradição olímpica, porém, foi mantida. A Grécia, berço dos Jogos da Antiguidade, continua sendo a nação que abre o desfile. A China, anfitriã da 26ª edição da Olimpíada da Era Moderna, fecha a festa.Mas, considerando o método de ordenação escolhido pelos chineses, a diminuta delegação de Guiné Bissau, formada por apenas três atletas (um de luta livre e dois do atletismo), será a segunda a entrar no Ninho de Pássaros. Isso porque o primeiro caractere do nome do país africano em mandarim tem só dois traços - e nenhuma nação tinha apenas um traço em seu nome.Ao Brasil, coube a 39ª posição, depois de Papua Nova Guiné e antes do Paraguai, informou o Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Os três países têm quatro traços no primeiro ideograma. Em Atenas-2004, o Brasil foi o 31º entre os 202 participantes. Em Sydney-2000, foi o 26º a desfilar - sem inovações, os australianos utilizaram a ordenação dos nomes das nações em inglês, idioma oficial do Comitê Olímpico Internacional.A Austrália, que seria a terceira delegação a desfilar, caso o alfabeto ocidental fosse considerado, será a 203.ª nação a entrar no estádio. Porque o ideograma inicial que denomina a nação tem 15 traços. Para John Coates, presidente do Comitê Olímpico Australiano, a mudança não fará grande diferença. "Ser um dos primeiros não quer dizer que a delegação pode dormir antes do fim da cerimônia. Todos têm de esperar", brincou. A Zâmbia (16 traços) será a penúltima a entrar no desfile. A transliteração dos ideogramas chineses (sempre escritos de cima para baixo e da esquerda para a direita) para o alfabeto ocidental é chamada de pinyin. A palavra Brasil, além de representada pelos dois caracteres que estão no título da reportagem, também é reconhecido foneticamente como "Ba Xi". "Foi a maneira encontrada para facilitar a comunicação entre os próprios chineses e também com os estrangeiros. É baseado na pronúncia dos pequineses", explica a professora Yan, lembrando que a China tem cerca de 100 dialetos mas o mandarim é o idioma oficial desde a década de 1950, após a Revolução Chinesa. Para os ocidentais, é mais fácil aprender a falar do que ler ou escrever o mandarim - tarefa que um aluno aplicado pode demorar até quatro anos para obter fluência.

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