Bach e Merkel lamentam decisão de moradores de Hamburgo de rejeitar Olimpíada

O governo da Alemanha e o Comitê Olímpico Internacional (COI) lamentaram, nesta segunda-feira, a decisão da população de Hamburgo de rejeitar a candidatura da cidade para os Jogos Olímpicos de 2024. Em referendo no domingo, a maioria da população disse ''não'', numa diferença de 51,6% a 48,4% para o ''im''.

Estadão Conteúdo

30 Novembro 2015 | 15h37

Em comunicado, o presidente do COI, Thomas Bach, disse que a decisão sofreu influência do momento vivido pela Alemanha, com a chegada de centenas de milhares de imigrantes e refugiados. De acordo com ele, a situação "requer grandes esforços do governo da Alemanha e da sociedade e está causando sentimentos de incerteza".

O dirigente máximo do esporte olímpico admitiu que a decisão também está ligada aos recentes escândalos de doping e de corrupção que atingem diversas esferas do esporte. Para ele, "essa é uma oportunidade perdida pela Alemanha e por Hamburgo".

"Essa é uma decisão que não queríamos, mas ela é clara", afirmou o prefeito da cidade, Olaf Scholz, ao anunciar o resultado do plebiscito, no domingo. A Alemanha não recebe os Jogos Olímpicos desde 1972, em Munique, mesma cidade que recusou a realização dos Jogos de Inverno de 2022 também por meio de referendo popular.

O governo alemão se pronunciou por meio da porta-voz Christiane Wirtz que disse que a presidente Angela Merkel acredita que a decisão é "lamentável", mas que ela "obviamente respeita o desejo das pessoas".

Com a negativa da cidade alemã, quatro cidades ainda concorrem para receber a Olimpíada em 2024: Paris (França), Roma (Itália), Los Angeles (Estados Unidos) e Budapeste (Hungria). O Comitê Olímpico Internacional (COI) vai anunciar a vencedora em setembro de 2017.

"Parece que Olímpia e Hamburgo não combinam", afirmou Alfons Hoermann, presidente do Comitê Olímpico da Alemanha, que fez questão de ressaltar que a campanha de Hamburgo foi feita com muito compromisso e sem cometer erros.

A derrota da campanha pelos Jogos foi, de certa forma, uma surpresa, já que as pesquisas iniciais indicavam um apoio de 64% da população. No entanto, a crise de refugiados sírios, os ataques terroristas em Paris e uma ameaça de atentado em Hannover que causou o cancelamento de uma partida da seleção alemã acabaram por minguar o respaldo popular.

Entre os argumentos, a oposição à candidatura afirmou que os alugueis iriam disparar na cidade e se mostrou preocupada com o financiamento do evento. O cálculo preliminar dos custos para se realizar a Olimpíada em Hamburgo e Kiel (sede da vela, que apoio a proposta no referendo) era de 11,2 bilhões de euros, segundo os organizadores.

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