Badalado, Santos lembra tropeços e evita oba-oba

Dorival Júnior recorda que Santo André, rival da final, já aprontou para cima do Flamengo, pela Copa do Brasil, em 2004

Sanches Filho, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

O Santos das goleadas, das jogadas brilhantes, dos endiabrados Neymar e Robinho e do cerebral Paulo Henrique Ganso começa a decidir o Campeonato Paulista contra o Santo André, hoje, às 16 horas, no Pacaembu. Se der a lógica, o time que apresenta o futebol mais bonito do País vai comprovar a sua superioridade e se aproximar da volta olímpica.

Os últimos resultados dão a ideia da diferença de qualidade entre os finalistas. Desde a derrota por 4 a 3 diante do Palmeiras, na Vila Belmiro, os santistas marcaram nove gols no Ituano, quatro no Botafogo, cinco no Monte Azul, três no São Caetano, quatro no Sertãozinho e, na soma dos resultados dos dois jogos das semifinais, seis no São Paulo. O Santo André, rebaixado à Série B do Brasileiro em 2009, teve a segunda melhor campanha da fase de classificação do Estadual, mas caiu de produção nos últimos jogos, com derrotas por 3 a 2 diante do Mogi Mirim, 3 a 1 contra o São Paulo, 2 a 1, em casa, frente ao Grêmio Prudente. A exceção foi a vitória por 2 a 1 contra o Prudente, no primeiro jogo das semifinais.

"Acredito que o Santos chega com um ligeiro favoritismo pela campanha", admitiu o técnico Dorival Júnior. "Mas quando a competição afunila, as condições se igualam. Temos a vantagem de pode jogar com dois resultados, fato que você só começa a pensar nos últimos minutos da segunda partida. A tendência é de dois grandes jogos."

O treinador santista iniciou a carreira em 2003 e, no ano seguinte, já foi campeão catarinense com o Figueirense. E tem se tornado um colecionador de títulos nos últimos anos. Mas no seu currículo falta o Paulista, que por pouco não conquistou em 2007, quando dirigiu o São Caetano.

Naquele ano, a decisão foi exatamente contra o Santos, no Morumbi. "Isso mostra que o nosso trabalho está crescendo. Só que hoje estamos disputando numa condição diferente das anteriores, com uma responsabilidade maior. Prefiro não ficar pensando muito nisso. O que tiver que acontecer vai ser", comentou. "Além disso, a carreira de um treinador não pode ser medida por uma conquista ou derrota numa decisão. O meu objetivo vai muito além, e o que pretendo é realizar um grande trabalho no Santos", emendou o líder dos garotos da Vila.

Favoritismo. Mais do que ninguém, Dorival sabe que um time que chega à decisão com sobras, como o Santos, dificilmente deixa escapar o troféu. Mas nas conversas que teve com o elenco, o treinador insistiu no batido "não ganhamos nada ainda" para evitar que o otimismo do torcedor contaminasse o ambiente de trabalho. E para convencer os atletas, o comandante santista lembrou de duas grandes surpresas recentes: as vitórias do mesmo Santo André (2 a 0) contra o favorito Flamengo, no Maracanã, na conquista da Copa do Brasil de 2004, e do Paulista, em 2006, diante do Fluminense, pela mesma competição.

"O favoritismo é mais por parte do torcedor do que dos jogadores, que estão conscientes do perigo que esses dois jogos das finais representam", discursou o treinador. Ele disse que passou a monitorar os jogos do Santo André desde a 10ª rodada, ao perceber a semelhança do futebol dos andreenses com o do time santista. "Quem está do lado de fora pode pensar diferente, mas para mim, o campeonato está totalmente aberto", concluiu o treinador.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.