Balas de borracha poderão ser usadas pela Polícia Militar no Rio

Subsecretário Roberto Azir confirmou permissão para agentes da cidade

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

31 de maio de 2014 | 04h39

RIO - A Polícia Militar do Rio de Janeiro está autorizada a usar balas de borracha em manifestações de rua durante a Copa do Mundo. A confirmação foi dada ontem pelo subsecretário estadual de Grandes Eventos da pasta da Segurança, Roberto Alzir. Em outubro, após denúncias de violência policial na repressão a protestos, o comando da PM havia proibido o uso da munição de borracha.

"Não há restrição ao uso de balas de borracha no Rio", afirmou Alzir em entrevista coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR). No entanto, de acordo com boletim interno da PM assinado pelo comandante da corporação, coronel José Luís Castro Menezes, a munição de borracha não deve ser utilizada "sob nenhum pretexto". A determinação teve efeito: desde outubro, a PM deixou de usar esse tipo de armamento durante o trabalho de contenção de manifestações na cidade.

Indagado pelo Estado sobre a norma, Alzir primeiro negou que ela exista. Depois, no fim da entrevista, ele voltou ao tema e afirmou que se tratava apenas de "uma orientação, uma estratégia" do coronel Castro.

Para Alzir, o recurso seria usado em "quase último caso". "Fica sob análise da Polícia Militar a conveniência ou não da utilização desse tipo de armamento. A ideia do uso da força é ser sempre gradual e a bala de borracha está bem próxima do armamento letal. A PM procura usar um escalonamento até chegar ao uso dela, que não tem sido necessário. Mas num cenário mais agudo e mais complexo, que esperamos não encontrar durante a Copa do Mundo, não haveria impedimento legal para o uso de balas de borracha."

Exército. Alzir e o delegado federal Anderson Bichara, coordenador do CICCR, anunciaram que a presidente Dilma Rousseff já autorizou o uso das Forças Armadas no policiamento ostensivo durante a Copa. Os militares devem acompanhar o deslocamento da seleção brasileira amanhã, de Teresópolis para o Aeroporto do Galeão, além de policiar pontos turísticos, hotéis e rotas de delegações. Exército, Marinha e Aeronáutica colocaram 5.300 homens à disposição do governo do Rio, que terá o reforço de 2.900 PMs recém-formados.

"A Copa é um evento que não pode parar. As medidas necessárias serão adotadas para controlar as manifestações, dentro da técnica e do diálogo possível. Se descambarem para a violência, a polícia está apta a usar a força necessária. Teremos a maior operação de segurança da história do Rio", disse Alzir.

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