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Bandeira da Ucrânia chega ao cume do Monte Everest com pedido de apoio ao país

Antonina Samoilova, de 33 anos, escala montanha mais alta do mundo e lamenta momento vivido pelos ucranianos: 'Precisamos que todo o mundo nos ajude'

AFP, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2022 | 16h28

Quando alcançou o cume do Monte Everest com uma bandeira ucraniana na semana passada, Antonina Samoilova, de 33 anos, tinha lágrimas nos olhos, contou ela nesta quarta-feira (18) após retornar a Katmandu, capital do Nepal. A bandeira continha o lema "Stand With Ukraine" ("Apoie a Ucrânia", em tradução do inglês), uma mensagem também para o seu pai e o seu irmão que servem no exército, defendendo o país da invasão russa.

"É uma pena" que o mundo não preste mais atenção na Ucrânia, disse à AFP. "Não é bom para nós, os ucranianos, porque necessitamos de mais ajuda, precisamos que todo o mundo nos ajude", afirmou. "Já sabia antes da expedição que seria a única ucraniana no Everest este ano. Isso me motivou a ir ao cume porque sabia que, se não fosse eu, quem seria?", completou.

Quando soube da notícia da invasão russa, em fevereiro, Samoilova estava no topo do Pico de Orizaba, a montanha mais alta do México. As primeiras notícias sobre a guerra foram dadas por sua irmã, que estava em um abrigo antiaéreo em Kiev. Quando retornava após chegar ao cume do Everest, soube que a região onde seu pai e seu irmão se apresentaram como voluntários para lutar estava tranquila. "Graças a Deus", pensou.  

E, uma vez que chegou ao acampamento base, seu telefone começou a vibrar com centenas de mensagens de apoio de amigos e desconhecidos. "Tonia, não é apenas o nosso orgulho, é o orgulho de toda a Ucrânia", lhe escreveu o seu pai em uma mensagem. Para a temporada de escalada de primavera (hemisfério norte) do Everest deste ano, que vai de meados de abril até o fim de maio, o Nepal concedeu 319 licenças para montanhistas estrangeiros, cada um deles acompanhado por pelo menos um guia.

Samoilova pretende entrar para o seleto clube de escaladores que conseguiram subir os Sete Cumes - as montanhas mais altas de cada continente - e, além do Everest, já concluiu a ascensão do Kilimanjaro na África, do monte Elbrus na Europa e do Vinson na Antártida. Mas, antes de seguir com sua empreitada, ela planeja ver sua irmã e seu sobrinho, que fugiram para a Croácia, e depois estar com seu pai e seu irmão na Ucrânia. "Só quero abraçá-los", frisou.

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