Barça dispara após saída de Ronaldinho

Time, líder em seu país, cresceu muito desde a transferência do craque para o Milan. Prestígio do brasileiro na cidade onde foi ídolo desaba

Jamil Chade, BARCELONA, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2008 | 00h00

Ronaldinho Gaúcho marcou época no Barcelona. Mas, hoje, quem quiser comprar uma camisa da equipe com seu nome terá sérios problemas. Sua chuteira R10 é vendida com considerável desconto na loja oficial do clube. Depois de dois anos de polêmicas e dificuldades, o Barcelona vive mais um momento mágico - é líder do Campeonato Espanhol com 10 pontos de vantagem sobre o Sevilla, segundo colocado, e um dos favoritos para levar a Copa dos Campeões da Europa. Tudo isso sem o jogador que era considerado o maior astro da equipe em décadas: Ronaldinho. Em Barcelona, a fase de sucesso do time já fez com que, em apenas seis meses, a torcida tenha se esquecido do brasileiro que hoje tenta se recuperar no Milan. Nos últimos anos, Ronaldinho Gaúcho havia se transformado na grande estrela do Barcelona e tido como o responsável por levar a equipe a vários títulos. Mas desde o segundo semestre de 2006 o brasileiro já não vinha rendendo e, na realidade, começava a "contaminar" seus companheiros, de acordo com pessoas do clube. A direção do Barça fez todo o possível para recuperar o ânimo do jogador, mas acabou sendo obrigada a liberar o craque. Por um contrato com a Nike, o Barcelona continua mantendo em sua loja visitada por milhares de pessoas uma foto gigante do meia-atacante. Mas apenas com o uniforme da seleção brasileira, também patrocinada pela Nike. Camisas do Barça com o nome de Ronaldinho, um produto que chegou aos quatro cantos do mundo, hoje somente são obtidas por encomendas especiais. "Aqui ninguém sente mais falta de Ronaldinho", afirmou Juan Jose Martinez, um fanático torcedor. "Todos sabem que ele fez muito pela equipe. Mas, depois de ganhar tudo, perdeu a motivação e contaminou o restante do grupo", alertou. Martinez, que não perde um só jogo, se diz "aliviado" com a saída do atleta. "Havia uma obrigação de tê-lo em campo, mesmo que não jogasse nada", declarou o torcedor.As festas promovidas por Ronaldinho durante dias de semana e o clima que causou na equipe passaram a fazer parte de mitos urbanos de Barcelona. Um jogador brasileiro que atua pelo clube ainda contou ao Estado que as festas foram levadas até para as casas daqueles que tinham família. "Em um ano, oito deles se divorciaram", afirmou, pedindo anonimato. O ex-técnico Frank Rijkaard, conhecido por saber muito de futebol, não conseguiu colocar um freio nos jogadores, e o presidente Joan Laporta quase perdeu a cabeça e o cargo. Mas, desde que o clube perdeu Ronaldinho, o time voltou a vencer, a encantar sua exigente torcida, e é favorito para todos os títulos em 2009. O Estado foi aos bastidores do clube para apurar o que ocorreu naqueles meses de crise entre Ronaldinho e o Barca, e como o clube, sem sua maior estrela, voltou a ser líder absoluto. O segredo: voltar a dar motivação aos jogadores e, acima de tudo, premiar aqueles que trabalham para um time que tem como lema ser "mais que um clube", sem pôr em destaque um ou outro individualmente.Para encabeçar essa reforma, o escolhido foi o técnico Joseph Guardiola, que simbolizava o próprio espírito do clube, onde foi zagueiro. Foi um dos astros de sua época e seu compromisso com o Barcelona era total. Conseguiu recuperar o moral da equipe, unir o grupo e, com muito treinamento, fazer a o time jogar para vencer sempre. "Guardiola mudou o Barcelona, sua chegada serviu para que a equipe melhorasse", afirmou Messi, a nova estrela do clube. "Rijkaard também foi um grande treinador. A principal diferença foram os resultados. A equipe é quase a mesma que tínhamos nos dois últimos anos", constatou Messi em entrevista dada nos últimos dias. De fato, a equipe é quase a mesma, excetuando-se a ausência de Ronaldinho e de Deco, que se transformou em um companheiro inseparável do brasileiro nas noitadas.

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