Barça dispensa concentração para a decisão

Assim como faz quando disputa competições na Europa, time catalão libera jogadores para curtir família e amigos

LUIS AUGUSTO MONACO , ENVIADO ESPECIAL / YOKOHAMA, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h05

Pela segunda vez desde que o time pisou em solo japonês, há menos de uma semana (chegou domingo à noite), Guardiola deu 24 horas de folga para seus jogadores e os liberou para dormir fora do hotel. À primeira vista pode parecer que o time dá pouca importância ao torneio e menospreza o Santos, mas é justamente o contrário. O treinador faz isso sempre, e o objetivo é ajudar seus comandados a chegar ao jogo menos tensos.

Guardiola não acha salutar manter o elenco trancado em um hotel e pensando todo tempo na partida. Em sua maneira de ver o futebol, quanto mais tranquilos e felizes estiverem os jogadores, melhor será o rendimento. E os resultados conquistados sob sua direção - 12 títulos em 15 competições disputadas - estão acima de qualquer crítica.

A primeira vez que os jogadores puderam sair do hotel no Japão foi na segunda-feira. Foram dispensados depois do treino da manhã com o compromisso de estarem de volta até às 12 horas de terça. O zagueiro Piqué, por exemplo, dormiu em Tóquio com a namorada - a esfuziante cantora colombiana Shakira. Iniesta foi outro titular que ficou na capital.

Os jornalistas que cobrem o Barça dizem que Guardiola também deu um dia inteiro de folga para os jogadores na quinta-feira anterior à vitória de sábado passado sobre o Real Madrid, no Santiago Bernabéu, e na véspera da viagem para enfrentar o Manchester United na final da Copa dos Campeões - isso para ficar apenas em exemplos de dois jogos importantes disputados recentemente.

Estratégia. A equipe nunca se concentra antes de partidas do Campeonato Espanhol. Quando o jogo é fora de casa, a viagem é no mesmo dia. Quando é no Camp Nou, os jogadores almoçam e jantam (quando o compromisso é à noite) em casa e vão para o estádio em seus próprios carros.

Com seus atletas felizes e apenas com Villa fora de combate (fraturou a perna esquerda no jogo contra o Al-Sadd), Guardiola já tem o time definido: Valdés, Puyol, Piqué e Abidal; Busquets, Xavi, Fábregas e Iniesta; Daniel Alves (que jogará no ataque como Adriano no jogo de quinta-feira), Messi e Pedro.

O chileno Alexis Sanchez ficará no banco como opção para o segundo tempo se o técnico quiser contar com um jogador que sabe atuar entre os zagueiros. Ele teve de ser substituído na semifinal por causa de dores musculares na coxa esquerda e, por isso, Guardiola acha temerário colocá-lo para começar a partida.

Desgaste. A decisão da comissão técnica do Barcelona de dar descanso aos atletas também levou em consideração o parecer dos profissionais responsáveis pela preparação física do time. Quando a delegação desembarcou no Japão, segunda-feira, acumulava 140 dias de atividades, período no qual realizou 113 treinamentos, 27 partidas oficiais e, para aqueles que foram convocados por Vicente del Bosque, outras sete com a seleção espanhola.

Ainda de acordo com os números coletados pela comissão técnica, foram 65 dias dedicados apenas ao condicionamento físico do grupo, o que explica a movimentação frenética que a equipe consegue demonstrar durante toda a partida. "As pessoas falam muito do toque de bola da nossa equipe, mas pouca gente percebe que por trás desta característica está todo um cuidado com a preparação física do grupo. Isso, aliado à qualidade dos jogadores, possibilita esse estilo", afirmou o lateral brasileiro Daniel Alves.

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