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Barça fica impaciente com Santos

Indefinição sobre destino do craque deixa time catalão irritado; oferta do Real Madrid é maior, o que enrolou a negociação

Luís Augusto Monaco, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2011 | 00h00

A diretoria do Barcelona começa a ficar impaciente com a postura da cúpula santista no caso Neymar. O clube catalão quer que seja respeitado o acordo fechado há quase duas semanas no Brasil e que agora o Santos reluta em assinar por ter recebido proposta mais vantajosa do Real Madrid.

O clube merengue propõe pagar um valor maior de "sinal", e mais rapidamente do que o rival. Segundo fontes ouvidas pelo Estado, o Real daria 50% a mais e pagaria de uma vez, enquanto o Barça quer dividir seu pagamento em três parcelas.

O Barcelona não pretende igualar a oferta madrilenha por dois motivos: quer o cumprimento do que já foi acertado e ainda acha que se aumentar o que ofereceu o Real dará um jeito de colocar mais dinheiro na mesa e a negociação se transformará num leilão que só interessa ao Santos. Em entrevista publicada segunda-feira pelo jornal catalão Sport, o presidente Luís Álvaro disse que vai vender Neymar "para quem pagar mais".

O acordo entre Santos e Barça para o garoto se transferir em janeiro de 2013 foi fechado dia 2 e revelado na noite do dia 3 pelo estadão.com.br. O clube paulista ficou de enviar a documentação para a Espanha na segunda-feira, dia 5, mas, com a proposta de última hora feita pelo Real, segurou a papelada.

Força do presidente. Em Barcelona aposta-se que a figura do presidente Sandro Rosell acabará decidindo a disputa para o lado catalão. Pessoas próximas a ele dizem que sua presença na Argentina durante a Copa América foi fundamental para o Barça ultrapassar o Real. Ele conversou sozinho com o pai de Neymar - o que irritou o agente Wagner Ribeiro, que estava no Brasil e desde o início fazia força pelo Real Madrid - e também falou com o garoto.

Rosell acelerou a ofensiva na última semana de agosto, quando mandou para o Brasil o diretor de futebol Raúl Sanllehí e uma advogada cujo primeiro nome é Laura e em Barcelona é considerada uma pessoa "invisível". Ninguém nunca a fotografou, mas todos sabem que a análise dos contratos sempre passa por suas mãos. E a dupla esteve em São Paulo de novo até anteontem.

O presidente do Barça sabe que o Real oferece um salário superior para Neymar, mas confia em outros trunfos. Um deles é que seu clube deixa 100% da imagem para o jogador, ao passo que o rival de Madri fica com 50% dos contratos de publicidade de seus astros - no Santos, Neymar entrega 30% para o clube. Quando jogava no Real, num momento de insatisfação, Ronaldo Fenômeno chegou a dizer que com os 50% que faturava com seus acordos publicitários o Real pagava o salário de Raúl.

Outro trunfo: o Barça tem tradição de dar aumentos frequentes para suas estrelas. Ronaldinho, por exemplo, assinou seis contratos em cinco anos. E Roberto Assis, seu irmão e procurador, disse isso a Neymar e seu pai numa conversa em Londres semana passada.

LEILÃO ESPANHOL

50% do valor dos contratos de publicidade oferece o Real Madrid a Neymar, enquanto o Barcelona promete deixar o valor integral (100%) para a jovem promessa santista; ainda assim, oferta madrilenha é maior que a catalã

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