Barça mira taça no 1º Superclássico

Time abre 11 pontos de vantagem na liderança da competição se bater o Real Madrid no início de maratona de clássicos

Sérgio Martins, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2011 | 00h00

Começa hoje, no Santiago Bernabéu, pela 32.ª rodada do Campeonato Espanhol, uma maratona inédita na história do futebol ibérico: quatro clássicos que Real Madrid e Barcelona disputarão em apenas 18 dias, por três competições - "La Liga", a final da Copa do Rei e os dois encontros válidos pelas semifinais da Copa dos Campeões.

Com oito pontos à frente dos merengues, o líder Barça pode até se dar ao luxo de perder a partida de hoje. Ainda assim continuará bem vivo na luta pelo título. No entanto, se vencer, poderá se considerar o virtual campeão, pois abriria uma vantagem de 11 pontos sobre o arquirrival (87 a 76) e só deixaria a taça escapar se errasse nas últimas seis rodadas tudo o que não errou nas 32 anteriores, quando sofreu apenas uma derrota e empatou três jogos.

Nada disso, porém, diminui o entusiasmo dos torcedores. O retardatário que quisesse ir hoje ao Santiago Bernabéu teria de desembolsar ? 250 (R$ 570) por um ingresso que normalmente custaria ? 70 (R$ 160). Para a final da Copa do Rei, no Estádio Mestalla, em Valência, na próxima quarta-feira, os ingressos custam, na mão de cambistas, até ? 750 (R$ 1.700). Tanto interesse por esse jogo tem uma boa razão: em mais de um século de torneio, os dois times só se encontraram cinco vezes na decisão, com três vitórias do Barça -1990 (2 a 0), 1983 (2 a 1) e 1968 (1 a 0) - e duas do Real - 1974 (4 a 0) e 1936 (2 a 1).

A verdade é que essa série de jogos representa mais do que simples partidas de futebol. Coloca frente a frente não apenas dois clubes, mas, sim, duas filosofias futebolísticas bem distintas. O Real se fez grande nos últimos 60 anos pela força do dinheiro, com o qual foi buscar "galácticos" ao redor do mundo para formar lendários esquadrões. O Barça se agigantou ao criar seus craques em casa e treiná-los ano após ano para que, no time profissional, atingissem um nível de excelência tática e técnica inigualável.

Ambas as filosofias apresentam resultados invejáveis ao longo da história. É certo que nos últimos 20 anos a catalã tem dado melhores resultados, ao menos na Liga, competição na qual conquistou 10 títulos, contra seis do rival. No entanto, nas décadas douradas de 50 e 60, o Real teve domínio avassalador na Espanha e na Europa, quando venceu 13 vezes o Campeonato Nacional (contra apenas quatro conquistas do Barcelona) e outras seis a Copa dos Campeões (1956/57/58/59/60 e 1966).

Bronca. O clube catalão jamais se esqueceu da humilhação daqueles anos, quando, para se tornar o prodígio que se tornou, o Real contou até com o socorro do Ministério dos Esportes do governo do ditador General Franco, que ajudou o clube a tirar das mãos do Barça o craque argentino Di Stefano, pilar sobre o qual, a partir de 1953, ergueu uma das maiores equipes já vistas na história do futebol mundial.

Por isso, quando nesta semana, às vésperas do início da disputa dos quatro clássicos, ao ser informado que o Real tinha 68 vitórias contra 63 do Barça nos 160 jogos disputados entre os dois clubes, o goleiro Victor Valdés foi curto e grosso na resposta: "Mas foram vitórias em preto e branco ou em cores?", provocou o jogador catalão, com os olhos voltados para as décadas de 50 e 60, quando as imagens transmitidas pela TV não eram coloridas.

Nenhuma lembrança, números ou conquistas do passado remoto ou recente são capazes de oferecer qualquer pista sobre qual clube sairá vitorioso dessa maratona de quatro clássicos a serem disputados a partir de hoje. "São sempre jogos com resultados imprevisíveis, muitas vezes decididos nos pequenos detalhes", observou o ex-craque Luís Figo, que jogou em ambas as equipes.

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