Alastair Grant/AP
Alastair Grant/AP

Barcelona é o templo do fenômeno Newey

Quinto maior salário da categoria, atrás apenas de 4 pilotos, projetista da Red Bull já venceu 10 das 20 provas na Catalunha

LIVIO ORICCHIO - Enviado especial, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2011 | 00h00

BARCELONA - Ayrton Senna venceu o GP de Mônaco seis vezes, sendo cinco seguidas, de 1989 a 1993, pilotando Lotus e McLaren. Michael Schumacher ganhou sete edições da corrida de Montreal, no cockpit de Benetton e Ferrari. Mas não são apenas os pilotos que desenvolvem uma espécie de empatia com certas pistas. O fenômeno ocorre também com os projetistas dos carros de F1.

Por exemplo: nas 20 provas disputadas até agora no Circuito da Catalunha, em Barcelona, os modelos concebidos por Adrian Newey venceram 10, seja na Williams, McLaren ou Red Bull. Domingo, no GP da Espanha, na pista catalã, apesar das novas regras da competição, cheias de variáveis, é inegável que a história também pesa na balança. Por essa razão, Sebastian Vettel, com Red Bull RB7, assinado por Newey, tem elevadas possibilidades de aumentar a já significativa vantagem na liderança do Campeonato Mundial. Soma 93 pontos diante de 59 de Lewis Hamilton, da McLaren.

"Não é difícil entender essa hegemonia dos projetos de Newey em Barcelona", diz Gary Anderson, ex-coordenador-técnico das equipes Jordan, Stewart e Jaguar. "O traçado é um dos que mais exigem uma aerodinâmica capaz de gerar muita pressão, principal característica dos carros de Newey." Mas fazer com que os monopostos de Fórmula 1 gerem pressão aerodinâmica, a fim de serem mais velozes nas curvas, estáveis nas freadas, economizem pneus, é o desafio maior dos projetistas. E Newey consegue como nenhum outro. Não é à toa que representa o quinto maior salário da Fórmula 1, com 10 milhões por ano (mais de 23 milhões), atrás apenas de Fernando Alonso, Michael Schumacher, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel.

Segredos. O próprio Newey sorri, timidamente, quando lembrado da estatística de vitórias no Circuito da Catalunha. Ao lhe ser colocada a explicação de Anderson, responde: "Sim, alta carga de pressão aerodinâmica da curva 1 até a 15, a parte sinuosa, mas ao mesmo tempo é preciso ter um carro veloz na grande reta, uma das maiores da Fórmula 1 (1.070 metros)". Encontrar esse compromisso é um dos segredos de Newey nos 4.655 metros do traçado espanhol.

Jacques Villeneuve, campeão do mundo em 1997, com Williams concebida por Newey, definiu, na época, a experiência de correr em Barcelona com o carro: "É como estar num trilho, tal a sua estabilidade". Mark Webber, companheiro de Vettel, comentou, este ano, ainda nos testes de pré-temporada no circuito catalão: "O carro é incrivelmente estável", bem semelhante ao que afirmou Villeneuve 14 anos antes, também de um projeto de Newey em Barcelona.

Amanhã, às 5 horas (de Brasília), começam os treinos livres do GP da Espanha, quinta etapa do Mundial.

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