Barcos conquista a torcida com raça, luta e gols

Atacante argentino só tem quatro jogos no Palmeiras, mas já é ovacionado em todas as partidas do time

DANIEL AKSTEIN BATISTA, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2012 | 03h09

São apenas quatro jogos - três como titular - e uma incrível identificação com a torcida. Em pouco mais de um mês de clube, o argentino Hernán Barcos já se tornou intocável no Palmeiras de Luiz Felipe Scolari.

O grandalhão centroavante ganhou a confiança do torcedor antes mesmo de jogar. No dia 8, contra o XV de Piracicaba, ele estava no banco quando foi chamado por Felipão para entrar no segundo tempo. E ali, se aquecendo no gramado do Pacaembu, já ouviu os primeiros gritos de apoio vindo das arquibancadas.

Os três jogos seguintes - todos como titular - não foram diferentes. Era só o sistema de som do estádio anunciar a escalação do camisa 29 para os palmeirenses se animarem. O nome de Barcos, aliás, tem sido mais comemorado do que o de Marcos Assunção, hoje o pilar do time alviverde.

O argentino ainda se enrola na hora falar português. Não entende algumas palavras, mas nada que o impeça de não gostar de algumas perguntas. Foi assim na semana passada, quando questionado por um repórter se ele se achava parecido com o cantor Zé Ramalho. "Não me pareceu sério de sua parte", disse irritado, chamando o jornalista de babaca.

O ex-jogador da LDU é assim mesmo, de personalidade forte. Virou motivo de gozação entre os companheiros por sua semelhança com outras pessoas, como Pedro de Lara. Piadas quase todas que partiram do sempre brincalhão Maikon Leite, que Barcos aturava para não estragar o bom clima no Palmeiras.

Em campo, o atacante ganhou a titularidade na posição que Felipão estava mais querendo. Ricardo Bueno começou o ano com a vaga, mas logo a perdeu. Fernandão até teve algumas chances, mas também não resistiu e ainda se machucou - com dores no púbis, nem vem treinando com os companheiros.

Barcos não é bem conhecido por sua habilidade. Ele até tenta seus dribles, gosta de às vezes ser "fominha", mas é a raça e a luta em campo que o fizeram ganhar o apoio da torcida. E ele chama o jogo pra si, sempre com dois ou três marcadores em seu cangote.

"Por onde eu passei, sempre assumi responsabilidades. Gosto assim. Espero que eu continue ajudando o time, seja com gols de pênalti ou qualquer outro jeito", disse o atacante após ter pedido para bater a penalidade contra o Guaratinguetá, no dia 17, na vitória por 3 a 2.

Além desse gol, Barcos também deixou sua marca contra o Ituano, de cabeça.

E não são apenas os torcedores e Felipão que gostam de ver Barcos se movimentando lá na frente. Daniel Carvalho, um dos responsáveis em armar as jogadas do time palmeirense, também aproveita o bom desempenho do companheiro. "Ele é um jogador de qualidade, que segura bem a bola", elogia o meia. "Isso para gente é bom, porque sabemos que é só tocar que ele protege a bola", diz Daniel Carvalho. "Ele chegou e já mostrou qualidade e talento. Tomara que faça bastante gols."

A velha arma. Se a presença de Barcos melhorou a forma de jogar do Palmeiras, a bola parada continua sendo a principal força do time. E Daniel Carvalho espera que o São Paulo siga sofrendo com as bolas altas que chegam à sua área."Temos essa arma do Marcos Assunção e temos de tirar proveito", conta.

"Ele (Assunção) é um dos melhores batedores de falta que vi na vida, e olha que já treinei com muita gente boa como o Arce e o Pedrinho", complementa o goleiro Bruno, que foi titular no empate por 1 a 1 com o Oeste, na quinta-feira, mas deve voltar para a reserva na tarde de hoje - Felipão falou que Deola, barrado no último jogo, deve retomar a sua vaga no gol palmeirense.

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