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Basquete: americanos são hostilizados

Os Estados Unidos se reabilitaram do fraco desempenho da primeira fase, honraram a tradição, deram show, hoje, venceram a forte seleção espanhola por 102 a 94, garantiram classificação para as semifinais do torneio de basquete, mas deixaram o ginásio do complexo olímpico de Atenas sob vaias e hostilidades. O motivo: no pacote da bela exibição estava incluída a generosa - e rotineira entre os astros da NBA - dose de arrogância. O auge da crise entre americanos e espanhóis, que resultou em bate-boca entre os treinadores, ocorreu a 23 segundos do fim da partida. Naquele momento, o confronto já estava decidido, pois os americanos levavam ampla vantagem, mas o técnico Larry Brown resolveu pedir tempo. Os europeus consideraram a atitude desrespeitosa, esnobe. Sentiram-se humilhados. Os torcedores espanhóis, em bom número nas arquibancadas, que receberam quase 15 mil pessoas, furiosos, fizeram coro ofensivo contra o comandante americano. "Hijo de ..., hijo de ..., hijo de ..." Assim que o cronômetro zerou, Mario Pesquera, da Espanha, foi tirar satisfação com Brown. Revoltado, porém, não ouviu muito o que o rival tentou explicar. Em seguida, na sala de coletiva, o ambiente ficou pesado. Separados por um voluntário da Olimpíada, eles não se olharam enquanto trocavam farpas. "Tentei explicar a ele que, quando pedi o tempo, a diferença era de 8 pontos (e não de 11 como no momento em que foi feita a pausa) e faltava um pouco mais de tempo, mas ele não quis ouvir. Tentei cancelar o pedido com a mesa, mas eles disseram que não seria possível", justificou-se o americano, sem muito entusiasmo. Não foi capaz de convencer o treinador espanhol, que soltou o verbo em seguida. "Eu tinha respeito pelo Larry Brown. Prestem atenção, o verbo está no passado. Se ele pediu tempo e não queria, que mandasse os jogadores para a quadra e não ficasse conversando no banco." Aquele tom de superioridade na boca dos americanos, que andavam usando disfarce humilde depois de duas derrotas na etapa de classificação, voltou a aparecer. No fim do jogo, abusaram de algumas jogadas desnecessárias e, nas entrevistas pós-jogo, mantiveram a pose. "É bom que as pessoas torçam contra nós, porque significa que temos o melhor time do mundo", afirmou Brown, depois de ter sido perguntado sobre a falta de apoio dos torcedores. Sua declaração tirou Pesquera mais uma vez do sério. "Acho que, desta vez, o público apoiou a equipe mais forte. A Espanha venceu os cinco jogos da primeira fase e terminou como primeira do grupo", retrucou o espanhol, que reclamou bastante das marcações da arbitragem. Cutucões à parte, o jogo foi excelente. As duas seleções protagonizaram lances de alto nível e levantaram o público em Atenas. A força americana, contudo, pesou no fim. Pau Gasol, pela Espanha, com 29 pontos, e Stephon Marbury, pelos Estados Unidos, com 31, foram os destaques do duelo. Os europeus, mesmo tendo vencido com sobra seus adversários da primeira fase, ficam fora da briga por medalha. Os americanos enfrentam, hoje, a Argentina, na luta por vaga na final. A Federação Internacional de Basquete deve anunciar, à tarde, o aumento do número de participantes na próxima Olimpíada, de 12 para 16, no masculino e no feminino.

Agencia Estado,

26 Agosto 2004 | 16h21

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