Basquete renasce

De volta aos Jogos após 16 anos, Brasil estreou com uma suada vitória sobre a Austrália, por 75 a 71, em partida que teve Leandrinho como cestinha

AMANDA ROMANELLI , ENVIADA ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2012 | 03h09

Após 16 anos de espera, a seleção masculina de basquete finalmente pisou em solo olímpico. Embora não tenha começado o torneio com uma atuação brilhante, a equipe do técnico Rubén Magnano cumpriu o seu papel e venceu ontem a Austrália por 75 a 71.

O fator emocional foi o maior empecilho para que o Brasil tivesse uma estreia mais tranquila. A partida representou a concretização do sonho de uma geração. E os jogadores claramente sentiram o impacto do retorno aos Jogos - para todos eles, incluindo o veterano Marcelinho Machado, de 37 anos, foi a estreia na principal competição do mundo.

Rubén Magnano, ouro com a Argentina em Atenas/2004, já havia sinalizado sua preocupação com os fatores externos. Não só com a ansiedade inerente à primeira participação olímpica dos atletas, mas também pelo favoritismo que, de repente, começou a ser atribuído ao Brasil.

Se antes do confronto com os australianos o argentino já pedia "inteligência emocional", o recado foi repetido ontem. "Permitimos que a Austrália se recuperasse no jogo, e até demos a eles a condição de ganhar. Emocionalmente, não estivemos bem."

Magnano também ficou incomodado com o porcentual de bolas de três pontos desperdiçadas - o aproveitamento foi baixíssimo, com 2 acertos em 15 chances. Leandrinho, apesar de ter sido o cestinha brasileiro (16 pontos), foi responsável por 4 dos 15 turnovers (erro com perda da posse de bola) da seleção.

O Brasil começou com Marcelinho Huertas, Leandrinho, Alex Garcia, Anderson Varejão e Tiago Splitter. Desconcentrados, os brasileiros permitiram que a Austrália abrisse 6 a 0. As ações só ficaram mais equilibradas quando Nenê e Larry Taylor entraram no time. Depois, com Guilherme Giovannoni e Marquinhos, a seleção conseguiu encostar no placar e terminar os dez primeiros minutos com um ponto de desvantagem (20 a 19).

No segundo quarto, o Brasil assumiu a liderança do jogo, que não mais perderia. Mas não houve tranquilidade. A vantagem, que chegou a ser de seis pontos, diminuiu para um, e a seleção foi para o intervalo vencendo por 36 a 35. No tempo final, a equipe voltou com uma excelente atuação ofensiva, e chegou a abrir 13 pontos. Mas erros de ataque e, especialmente, os bons tiros de fora dos australianos, fizeram a vantagem cair para sete pontos.

A vitória quase se perdeu com dois erros de Leandrinho a menos de um minuto do fim. O ala forçou um chute de três que nem tocou no aro e, em seguida, cometeu uma falta que deu a posse de bola para a Austrália, que chegou a 71 pontos. Nos segundos finais, Marcelinho Huertas aliviou a tensão: converteu dois lances livres e fechou a vitória.

BASQUETE MASCULINO

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