''Bata no Hamilton, Kubica''

Torcedores pedem a polonês que tire inglês da prova

Thiago Arantes, O Estadao de S.Paulo

30 de outubro de 2008 | 00h00

Robert Kubica, um dos personagens da temporada, ouviu pedido inusitado e cada vez mais comum entre a torcida brasileira ontem, durante evento de patrocinadores. Enquanto dava autógrafos e tirava fotos com fãs, curiosos presentes no Shopping Villa-Lobos gritavam frases como "bate no Hamilton" e "tira o Hamilton da corrida", em português e inglês. O polônes reagiu aos pedidos com sorrisos, mas fez sinal de negativo com o dedo. Kubica pilotou um simulador promocional da equipe BMW e, assim que se sentou no cockpit para a largada, ouviu mais uma vez a indecente proposta da torcida brasileira. Entre os freqüentadores do shopping, muitos nem conheciam o polonês, mas já sabiam o que esperar dele. "Esse cara é bom?", perguntou um deles. "Se bater no Hamilton, é", respondeu outro. A ansiedade dos torcedores brasileiros por um acidente envolvendo Hamilton no domingo, em Interlagos, justifica-se pela situação do Mundial de Fórmula 1. O inglês da McLaren chega à última prova do ano com 94 pontos, sete a mais do que Felipe Massa. Para ser o campeão, o brasileiro da Ferrari precisa vencer e torcer para que o rival fique no máximo em sexto lugar. Kubica surpreendeu a Fórmula 1 em 2008. Correndo pela BMW, uma equipe média até o ano passado, ele venceu o GP do Canadá, chegou a liderar o Mundial de Pilotos e brigou até a penúltima corrida pelo título. Mas os bons resultados na temporada não o deixaram completamente satisfeito. Ele pede um carro que lhe permita lutar de fato para ser o campeão. "Neste ano começamos muito bem, lideramos o Mundial após sete corridas e também o de Construtores no início do campeonato, mas não conseguimos manter o ritmo de desenvolvimento de Ferrari e da McLaren", disse Kubica, que chega a Interlagos, para a prova de domingo, na terceira posição, com 75 pontos. Na opinião do polonês, o caminho rumo ao título passa pela redução de erros técnicos e também por um carro que consiga seguir o ritmo dos rivais em todas as etapas. "A confiabilidade não foi um problema. Mas cometemos erros e não podemos repeti-los", declarou o polonês, que estreou na Fórmula 1 em 2006.

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