Bela do octógono, Ronda Rousey só pensa em lutar no UFC 157

Uma das principais atrações da modalidade, americana cresce na carreira e rejeita rótulo de musa

Entrevista com

BRUNA TONI, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2013 | 02h09

SÃO PAULO - Quem vê Ronda Jean Rousey longe das luvas e da roupa típica de treino é incapaz de dizer que está diante de uma das maiores lutadoras de MMA do mundo atualmente. Formada no judô desde os 11 anos, Ronda já conquistou medalha de prata no Mundial de 2007, foi bronze na Olimpíada de Pequim em 2008 e ergueu o ouro nos Jogos Pan-Americanos no Brasil, realizados do Rio também em 2007. Ou seja, motivos de sobra para orgulhar qualquer mãe, principalmente uma mãe judoca como a dela.

Mas a teimosia e persistência parecem acompanhar a bela norte-americana nascida na Califórnia. Tanto é que a vontade de fazer história e superar obstáculos a fizeram ganhar espaço em um ambiente ainda totalmente dominado por homens: o UFC.

Com seu jeito alegre e simpático e também com o seu cartel de fazer inveja a muito marmanjo (Ronda ganhou as seis lutas que fez até hoje com chave de braço), a loira de 1,67 m e 61 kg dobrou a resistência de Dana White, presidente do maior evento de MMA no mundo, que dizia não pensar ser possível abrir uma categoria apenas com mulheres.

Pois não só uma categoria foi aberta - a dos pesos-galo feminina -, como será de Ronda Rousey e de Liz Carmouche a responsabilidade de liderar, neste sábado, o UFC 157, nos Estados Unidos. Esta será a primeira vez que duas mulheres se enfrentarão no evento que existe desde 1993.

Em entrevista ao Estado, Ronda fala sobre a sua trajetória nas lutas, desde quando começou como judoca até decidir tentar a sorte no MMA. Revela que, apesar de ter como exemplo profissional a mãe, Ann Maria DeMars, ouro no Mundial de judô em 1984, ela teve de provar que poderia se tornar uma verdadeira campeã para continuar no esporte.

Ronda afasta a ideia de ser "musa'' e conta como se sente diante de um dos maiores desafios de sua vida: a defesa do cinturão no UFC.

Desde quando você luta e como foi tomar essa decisão?

Eu tinha 11 anos quando comecei a lutar. Depois de um tempo, meus treinadores começaram a me incentivar a virar profissional. Queria crescer no esporte, então comecei a participar de competições.

Sua família te apoiou quando você disse que ia para o MMA?

Não, não muito (risos). Minha mãe trabalhava em uma universidade, uma boa universidade, a USC. Ela queria que eu terminasse o colégio e entrasse fosse para lá, tinha boas notas e poderia estudar de graça. Então eu pedi para que ela me desse um ano, um ano para eu mostrar que poderia ser campeã. Ainda bem que deu certo.

Mas agora ela te apoia muito, não?

Sim, eu acho que ela está muito feliz com meu trabalho, onde eu estou indo e com todas as possibilidades que se abriram para mim.

Quando você decidiu sair do judô e se tornar profissional no MMA?

Eu decidi começar no judô e com o tempo fui ganhando agilidade. Quando me senti preparada, quando vi que poderia fazer um bom trabalho em outras modalidades, resolvi arriscar e fui para o MMA.

Como você se sente sendo a primeira mulher a entrar em um octógono no UFC?

Como todo mundo que luta e quer vencer. Minha vida é lutar, e essa luta é mais uma que eu vou fazer. É a primeira que preciso realmente vencer e por isso pretendo dar o meu melhor.

O que você acha da sua adversária, Liz Carmouche?

Ela é uma lutadora muito respeitável. E eu a vejo lutar e sei que ela tem muitos pontos positivos, dá ótimos chutes, voadoras, é muito imprevisível e perigosa. Então eu estou feliz por poder lutar com ela no próximo sábado (amanhã), me preparei muito para isso.

Qual o segredo para ganhar tudo com chave de braço como você ganha?

O segredo é conviver com chaves de braço por 15 anos. Minha mãe fazia isso comigo desde quando eu era menor. Brincava que ia me dar uma chave de braço se eu não acordasse para ir a escola (risos). E muito, muito treino.

É verdade que você não come carne até hoje?

Eu fui vegana por um bom tempo, mas agora eu voltei a comer carne. Eu não comia carne, não bebia leite, não comia ovo, mas eu voltei a fazer isso por causa dos treinos, para não ficar doente. Mas eu não gosto muito de comer essas coisas.

Como é a sua rotina de treinos? Bem pesada né?

Eu treino o tempo todo, todos os dias. Judô, jiu-jítsu, boxe, wrestling, faço exercícios para melhorar o condicionamento físico. Enfim, eu treino todos os dias da semana, sem parar.

A sua beleza chama a atenção de todos e você já fez, inclusive, um ensaio sensual para uma revista. Você se sente uma "musa'' no MMA?

Não, eu acho que não. Quando eu era jovem, no ensino médio, isso importava mais, talvez. Mas não vivo disso hoje. Sei que isso ainda chama a atenção e talvez seja algo bom para atrair mais mulheres ao MMA, mas espero que no futuro seja diferente e acredito que o meu diferencial é ser boa no que faço e não a beleza.

PERFIL

Nome: Ronda Jean Rousey

Nascimento: 1º de fevereiro de 1987, na Califórnia, EUA

Títulos no judô: bronze nos Jogos de Pequim, prata no Mundial de 2007 e ouro no Pan-Americano de 2007

Lutas no MMA: 6 vitórias.

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