Bellucci busca equilíbrio emocional

No Brasil Open, tenista brasileiro tenta mostrar que, além de bons golpes, aperfeiçoou também o aspecto psicológico

O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2012 | 03h05

Um papo rápido com especialistas em tênis, técnicos e atletas é suficiente para entender um pouco do perfil de Thomaz Bellucci. O melhor tenista brasileiro da atualidade (38.º do ranking mundial da ATP) e principal esperança do País no Brasil Open, que começou ontem, na quadra de saibro montada no Ginásio do Ibirapuera, é considerado talentoso, dono de boa diversidade de golpes, porém instável emocionalmente.

E esta instabilidade tem sido o ponto principal do trabalho sob o comando do técnico argentino Daniel Orsanic. "Ele é um cara bem compreensivo e flexível, estamos fazendo uma boa parceria e ainda estamos nos conhecendo. Ele está me passando as coisas aos poucos para evitar uma mudança muito grande. Mas acho que está sendo legal. Aos poucos, vamos nos encaixando melhor e conseguindo melhores resultados", explicou o brasileiro.

Até o ano passado, Thomaz treinava com Larri Passos, o mesmo que acompanhou praticamente toda a carreira de Gustavo Kuerten. Chegaram a conquistar bons resultados juntos, como a semifinal no Masters 1000 de Madrid, no ano passado, e vitórias contra adversários expressivos, casos do escocês Andy Murray e do checo Tomas Berdych. Porém, o tenista nunca escondeu seu incômodo com o temperamento mais explosivo de Larri, que não economiza nos puxões de orelha, até como fator motivacional.

Bellucci evita fazer comparações entre os dois treinadores. O brasileiro prefere lembrar que é necessário mais tempo para que os resultados apareçam, embora saiba que o título no Brasil Open seria importantíssimo para embalar o trabalho e ganhar confiança.

"Jogar em casa é sempre muito bom. Sabemos que o torcedor tem expectativa e contamos com esse apoio", analisou. "Acredito que a experiência com o Larri foi válida. Agora, espero que eu e o Orsanic consigamos bons resultados. Ainda está muito cedo, estamos começando uma parceria. Com o tempo, vamos conseguir fazer um trabalho coerente com o que eu gosto e com o que ele acha mais fácil."

Aposentadoria. O chileno Fernando Gonzalez, dono de um dos forehands mais invejados da história do tênis e que o levou à final de um Grand Slam (Austrália-2007), está em sua turnê de despedida, que termina em março. "Agora quero me dedicar a coisas para as quais nunca tive tempo", afirmou. "Adoro o tênis, mas não estou pensando em nada nesse momento. Preciso de tempo para mim, para pensar bem e saber o que vou fazer no futuro."

Ex-número 5 do mundo, Gonzalez ocupa atualmente a modesta 268.ª posição no ranking. Por isso precisou de um wild card (convite) para disputar o torneio paulistano. "Gosto da forma de ser dos brasileiros. Estão sempre alegres. Aqui tenho bons amigos, como Guga, André Sá, Meligeni e outros. São pessoas que sempre estão para cima, mesmo realizando uma atividade tão estressante", comentou o tenista sobre o ambiente que encontrou no Brasil.

Saibro rápido. A expectativa dos tenistas é de que a quadra de saibro montada no Ginásio do Ibirapuera seja mais rápida do que a média do piso. Isso porque a superfície não está exposta às condições climáticas, como chuva e umidade, que contribuem para assentar o pó e deixá-la mais fofa. Em locais cobertos, o piso fica mais duro e rápido.

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