Bellucci luta, mas está fora da decisão

Brasileiro sente desgaste físico e acaba permitindo a virada de Volandri; hoje, italiano faz a final com Nicolás Almagro

ALESSANDRO LUCCHETTI, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2012 | 03h04

Thomaz Bellucci se esforçou bastante, mas não conseguiu evitar a eliminação no Brasil Open. Ontem, no ginásio do Ibirapuera quase lotado, o 38.º do mundo perdeu para o italiano Filippo Volandri (69.º), por 5/7, 6/0 e 6/2 - hoje, ele enfrenta o espanhol Nicolás Almagro na final, que ontem superou o conterrâneo Albert Ramos por 6/4 e 7/6 (7-4).

O canhoto de Tietê pagou caro pelo desgaste sofrido para superar na véspera o argentino Leonardo Mayer por 2 a 1, num jogo que durou quase 2h30 e terminou por volta de 0h30. Bellucci já havia sofrido uma torção no tornozelo esquerdo e deixou a sala de imprensa com uma bolsa de gelo. "Eu estava muito cansado. Estava falando para mim mesmo para não desistir, mas não estava em condições. Hoje eu não consegui, não consegui", lamentou Bellucci, olhando para o chão, de cabeça baixa e tom de voz abatido, em entrevista para o SporTV. "Não conseguia nem pensar direito. Via tudo branco. Ontem o jogo foi muito pesado e não consegui me recuperar".

Aparentemente, o brasileiro não estava sentindo as dores no início do primeiro set, que venceu por 7 a 5. Volandri tem um saque fraco, mas compensa essa deficiência com um forte e preciso backhand. Usando essa arma, o italiano passou à frente com uma quebra no sétimo game. Mas Bellucci demonstrou uma força mental durante a maior parte da temporada e segurou firme para seguir na batalha.

No 11.º game, porém, o paulista voltou a sentir o problema no tornozelo esquerdo, lesionado ao escorregar durante a disputa de um ponto contra Mayer. Aparentemente refeito, Bellucci quebrou novamente o serviço do adversário e fechou o set em 7 a 5.

Na parcial seguinte, o paulista parecia não apresentar a menor condição de correr atrás das bolas, e levou o "pneu", como se diz na gíria do tênis: 6 a 0. Quando Bellucci parecia acabado, conseguiu prolongar o jogo mudando totalmente seu estilo. Jogador de fundo de quadra, procurou improvisar como um tenista de saque e voleio. Mesmo sem volear bem, a despeito de sua boa envergadura, Bellucci conseguiu quebrar o ritmo do italiano e metê-lo em dificuldades, abusando de deixadinhas.

O público - de 9,7 mil espectadores - voltou a acreditar e, novamente passou a fazer muito barulho, aumentando as dificuldades do rival. "Eu sabia que o melhor a fazer era ficar quieto e jogar", comentou o italiano, referindo-se às dificuldades de Mayer, que catimbou e teve que enfrentar a ira da torcida, que rasgou a etiqueta do tênis e o vaiou inclusive no intervalo entre o primeiro e o segundo serviço. Desde 2006 Volandri não disputa uma final.

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