Belluzzo vê Palmeiras melhor que em 2009, apesar da péssima fase

Em entrevista ao Estado, presidente do clube lamenta momento ruim do time e promete mais força para o Brasileiro

Daniel Akstein Batista e Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2010 | 00h00

Luiz Gonzaga Belluzzo não perde as esperanças. O presidente do Palmeiras avisa que o time está preparado para a disputa do Brasileiro e vai brigar forte pelo título. Em pouco mais de 14 meses de mandato, ele arrumou desafetos no clube. Recebeu ameaças de morte e se vê no meio de uma confusão política quase sem fim. Em entrevista ao Estado no dia seguinte ao término da primeira fase do Estadual, em que o time fez uma de suas piores campanhas na história, o economista prometeu fugir da reeleição e disse que o elenco atual é melhor que o de 2009.

Torcida. Às vezes eles acham que somos empregados. Certa vez fui assistir a um jogo na arquibancada e um dos torcedores veio até mim e disse que eu tinha de mandar esse e aquele embora. Virei e perguntei se ele sabia com quem estava falando. Sobre essa questão de integrantes de torcidas organizadas se associarem ao clube para participar da política interna, não vejo muito o que fazer. É a democracia. Melhor que sobre do que falte.

O time. Claro que não está bem. Terminamos muito mal o ano passado e estamos tendo trabalho para nos acertar nesta temporada. Mas o trabalho está sendo feito com cuidado. Já detectamos os problemas da equipe e nos movimentamos para solucioná-los. Por exemplo, estávamos pouco eficientes na saída de bola, e agora buscamos reforços nessa posição, como o Marcos Assunção (volante do Prudente). A defesa é boa, mas temos um lateral-esquerdo que também oscila. E não sei o que acontece com o Pierre, mas ele caiu de produção, talvez por causa da lesão de 2009. Não entendo que o Palmeiras vá entrar no Campeonato Brasileiro tendo de se preocupar com o rebaixamento. Com os reforços que chegarão, nosso grupo se tornará mais competitivo. Em alguns momentos oscilamos, nosso time parecia "on-off", começava bem e, de repente, perdia a pegada. Mas posso afirmar que temos um elenco melhor que o do ano passado.

Muricy Ramalho. Tenho o maior respeito pelo Muricy. Trata-se de um dos profissionais mais corretos com os quais já trabalhei. Discreto, fica na dele, não gosta de se meter em tudo, como alguns fazem. Mas é preciso entender que ele não conseguiu encontrar uma formação para o time. O Vagner Love jogava em posição errada. Ele saía muito da área, quando sua característica é de jogador mais centralizado. O Edmílson não tinha condições de jogar de volante, mas era escalado dessa forma. Quando ele chegou, perguntamos o que ele achava do elenco e se precisava de alguma contratação. Ele disse que o grupo era bom e que trabalharia com aqueles atletas. Mas no final vimos que faltavam opções.

Vanderlei Luxemburgo. O Vanderlei gosta de tomar conta de tudo. É o estilo dele. Ao tirá-lo, tive de tomar uma atitude para preservar a hierarquia. E, não há como negar, aquele episódio que ele não acompanhou o time em uma viagem para ficar no Brasil comentando o jogo para a televisão (pela Copa Sul-Americana, contra o Argentinos Juniors, em 2008) não pegou bem. Onde já se viu o técnico comentando publicamente a partida da própria equipe?

Antônio Carlos. Durante o processo de definição do novo técnico, o que mais nos chamou atenção no Antônio Carlos foi o fato de ele ter montado o time do Corinthians do ano passado. É um profissional que conhece bem futebol, identifica com facilidade o potencial e as características de um bom atleta e tem pontos de vista claros sobre táticas e estratégias de jogo. E nesses últimos jogos não dá muito pra falar do trabalho dele, o time jogou com muitos reservas e sem motivação (já estava eliminado no Estadual). E eu já troquei muito técnico neste mandato (explicando se Antônio Carlos sairia com uma queda na Copa do Brasil).

Marcos. O Marcos é um torcedor dentro do campo. Ele sente muito a partida, o resultado. E quando perde, desabafa, fala que vai parar. Mas a gente sabe que ele pode render bem.

Mustafá Contursi. Sem dúvida é uma pessoa inteligente. Mas não gosta de futebol. O Mustafá adora dizer que deixou o caixa com trinta e poucos milhões, mas vale lembrar que na época dele a Parmalat era responsável por pagar 70% das despesas do departamento de futebol. Aí até eu.

Atrasos de pagamento. Nunca atrasamos salários. Tivemos alguns problemas, sim, com os direitos de imagem, que representam, em média, 40% dos vencimentos dos jogadores.

Arena. Nosso cronograma não foi alterado. Tivemos algumas pendências, como a que ocorreu com a CET, mas que estão sendo resolvidas. É preciso que as pessoas entendam que se trata de um processo complexo. O problema é que tem muita gente no clube que não entende o que está acontecendo, não faz questão algumas de ir atrás de informações, mas que adora reclamar. Isso acontece com frequência no Conselho. Muitos aparecem ali e não fazem ideia do que está sendo discutido.

Presidência. O pessoal foi todo na minha casa mais de uma vez, depois do Natal, para me convencer a ser presidente. E ainda comiam da minha comida, bebiam do meu vinho. Quando aceitei participar da eleição, até meu filho disse que eu estava louco.

Affonso Della Monica (ex-presidente). Eu ofereci o cargo de presidente do Conselho, mas ele não aceitou. Aí falei para o Vergamini (José Angelo) e ele foi eleito. O Della Monica, então, ficou bravo comigo e foi para a oposição.

Sucessão. Não tenho a menor intenção de me candidatar a mais um mandato. Entendo que tenhamos dois nomes que poderiam concorrer: Paulo Nobre e Antonio Augusto Pompeu de Toledo (presidente do Conselho de Orientação Fiscal). O Paulo Nobre, por exemplo, tem perfil interessante, pois é jovem, rico (sócio do grupo que controla o banco Itaú) e tem tempo para se dedicar ao clube. Já a oposição fala muito no Pituca (Arnaldo Luiz Albuquerque Tirone).

Ameaça? A polícia chegou à conclusão de que as cartas que recebi contendo as balas de revólver foram escritas pela mesma pessoa. Foi de alguém dentro do clube. É claro que não fico feliz com isso, mas tento não me preocupar. Não reforcei minha segurança.

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