Sergio Berezovsky/Estadão
Sergio Berezovsky/Estadão

'Ben Johnson tinha certeza que não seria pego', lembra médico brasileiro

Ex-atleta já tinha competido no Mundial de 1987 dopado, mas havia passado pelo teste

AMANDA ROMANELLI, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2013 | 09h40

SÃO PAULO - Ben Johnson havia se tornado campeão e recordista mundial dos 100 metros no Mundial de Roma, em 1987. Era o homem a derrotar Carl Lewis na Olimpíada de Seul - o que conseguiu. E tinha a certeza da impunidade, lembra o médico Eduardo De Rose, especialista em doping.

"O Ben Johnson estava convencido de que não seria flagrado no exame. Em Roma, ele competiu dopado, passou por teste e não houve o positivo. Isso porque, em 1987, ainda não havia a técnica de detecção para os esteroides."

O cenário, entretanto, mudou. No período entre o Mundial e a Olimpíada, o método para encontrar esteroides anabólicos foi desenvolvido pelo alemão Manfred Donike, membro da Comissão Médica do Comitê Olímpico Internacional (COI) e diretor do laboratório de Colônia, o mais prestigiado.

"Os atletas que fazem uso desse tipo de anabólico param de utilizá-lo 15 dias da competição, para que a substância não apareça no exame. Johnson, não. Ele tinha certeza que não seria pego, e continuou utilizando."

Após 25 anos da final olímpica de Seul e o positivo de Ben Johnson, o uso de esteroides anabólicos ainda é disseminado. Segundo De Rose, as substâncias dessa família são encontradas em 60% dos testes. O estanozolol, utilizado pelo canadense em 1988, é uma das substâncias mais presente, junto com a nandrolona.

No caso do atletismo, a lista disponível no site da Federação Internacional (IAAF) sobre todos os atletas suspensos atualmente, é fácil comprovar como o estanozolol ainda é bastante popular. Dos 255 suspensos, 52 foram pegos pelo uso da substância - ou seja, quase 21% dos casos.

Johnson ainda voltou a correr após a suspensão de dois anos, mas foi pego novamente em um teste em 1993 e acabou banido do esporte. Depois de 25 anos de Seul, o ex-velocista, agora com 51 anos, participa de uma campanha contra o uso de doping. Tanto que, para isso, retornou nesta terça-feira ao palco de sua maior glória e de seu maior fracasso: o Estádio Olímpico de Seul.

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