Berlusconi aconselha Kaká a ir para o City

Até o presidente do Milan considera fechada a negociação milionária

Luís Augusto Monaco, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

A vitória do Milan por 1 a 0 sobre a Fiorentina, com gol de Alexandre Pato (seu nono no Campeonato Italiano e o 11º na temporada), foi o que menos importou ontem no Estádio San Siro. Os 65.692 torcedores presentes passaram os 90 minutos pedindo para o clube não vender Kaká. Mas provavelmente não voltarão a ver o craque com a camisa do Milan.O dono do clube, Silvio Berlusconi, jogou um balde de água fria na torcida. Na Sardenha, onde foi passar o fim de semana, deixou clara a intenção de vender o meia. "É muito difícil segurar Kaká. Não podemos impedi-lo de ganhar um salário tão mais elevado do que o que recebe aqui. E não temos condição de aumentar o seu salário."Em seguida, disse que agiria com Kaká como agiu com o ucraniano Shevchenko, quando o Chelsea lhe fez uma proposta muito vantajosa. "Com Kaká agirei como um irmão mais velho, exatamente como fiz com Sheva." E o Estado apurou que num contato por telefone no final da manhã ele aconselhou Kaká a aceitar a oferta.O vice-presidente Adriano Galliani quebrou o silêncio que durava desde terça-feira. "Entendo a posição da torcida, porque também sou um torcedor do Milan. Só que além disso eu sou dirigente, o que me obriga a agir com a razão e não com o coração." Ao mesmo tempo, no entanto, tentou colocar panos mornos nas notícias da iminente venda do jogador. "Nada foi assinado", desconversou. Kaká começou a ser aplaudido pelos torcedores assim que entrou em campo para se aquecer. Emocionado, acenou para todos os lados do estádio e bateu várias vezes a mão no peito.Durante o jogo, porém, não conseguiu ser o Kaká preciso e decisivo de outras vezes. Perdeu muitas bolas e não levou vantagem sobre os zagueiros. Estava louco para fazer um gol, e foi até fominha. Quando o árbitro encerrou o jogo, foi abraçado por todos os companheiros - gesto que teve ares de despedida. E ao sair do vestiário evitou os jornalistas, mas não os torcedores. Deu vários autógrafos e foi embora em silêncio.O pai de Kaká deve embarcar hoje para a Itália, e amanhã ou na terça-feira senta-se para negociar com representantes do City. Mas pessoas próximas à família ouvidas ontem pelo Estado disseram que a oferta será aceita. O City vai lhe oferecer o maior salário da história do futebol. Fala-se em 15 milhões (R$ 46 milhões) livres, mas fontes do clube dizem que esse valor pode ser maior. O Milan receberá 110 milhões de libras (R$ 345 milhões), a maior transação de todos os tempos.

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