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Bernardinho diz que continua técnico

Os jogadores querem que o técnico Bernardo Rezende continue no comando da seleção brasileira. Motivos eles têm de sobra. Com Bernardinho, ganharam os 130 jogos em 145, 12 campeonatos em 15 disputados, desde que o técnico assumiu o comando do time em 2001, trocando a seleção brasileira feminina - com quem ganhou duas medalhas de bronze olímpicas - pela masculina. O Brasil foi tricampeão da Liga Mundial (2001, 2003 e 2004), campeão do Mundial da Argentina (2002), dando ao time um título inédito, e agora campeão olímpico, só para citar, naturalmente, as competições mais importantes. Bernardinho disse que vai conversar com a mulher, Fernanda Venturini, para decidir se continua a frente da seleção. "Por enquanto eu sou o técnico." Nem as broncas duríssimas, o trabalho estafante que impõe ao grupo e sua ira - morde o dedo, sapateia, ergue os braços, aponta, enruga a testa, grita - quando o time erra, demove os jogadores. "Quando veio para o masculino demos a ele e a comissão técnica uma confiança grande no trabalho. Essa união para colocar um objetivo lá na frente foi muito boa. O Bernardo tem esse jeito dele, de dar bronca, mas sabemos que quer sempre o melhor para nós, quer ganhar. O que posso dizer? Pedir para ele continuar. Sabemos que ele fará todo mundo acordar de novo às 7 horas da manhã para treinar, mas vale a pena. Está aí o resultado", afirma Giba. Giovane, que é bicampeão olímpico, disse que o grupo tem plena convicção no que Bernardinho fala. "Sou muito fã dele. Além de ótimo treinador, é um ser humano espetacular." Bernardinho, é evidente, gosta de desafios. E está pensando em conversar com a Confederação Brasileira de Vôlei sobre projetos para a modalidade. "Mas é um desafio monstruoso. Me desgasta um pouquinho porque é um sistema muito cruel, termina um torneio e já começa o outro, termina um ciclo e já inicia o outro. O positivo é que o Brasil é um celeiro muito bom para se trabalhar." Acrescentou que nem vibrou muito com o título da Liga Mundial esse ano, em cima da Itália, em julho, porque já havia a Olimpíada na seqüência. "Sempre estou pensando no dia seguinte. Até brigamos no aeroporto porque eles queriam mais alguns dias de folga." No fim do jogo deste domingo, Bernardinho, de tão ligado, nem percebeu o placar. "Acabou. Sabe qual foi o meu primeiro sentimento? De alívio. A pressão era tanta", descreveu. O momento mais lindo para ele foi o pódio, a emoção, o choro, a bandeira. Prefere não dizer que o Brasil é o melhor do mundo, imbatível e nem que foi o dia mais feliz da carreira. Chamou de um grande dia. E justifica dizendo que ninguém é melhor, apenas está melhor no momento. "Tem de aproveitar o melhor momento." Nem quer ser visto pelo País como um ídolo, acha um exagero. "Com o título olímpico, até a minha mulher acha que sou o melhor marido do mundo." Não quer ser visto como um herói. "Não é verdadeiro. É normal admirar um bom jogador, um bom técnico, mas vamos com calma..." Disse que antes de deixar o Brasil ouvia, por onde andava, de todas as pessoas, nas ruas: "é ouro, hein". Sabia da responsabilidade de jogar no domingo pela manhã, com todo mundo vendo, no Brasil, pela TV. Timoneiro - Bernardinho é uma pessoa que gosta de aprender com a vida. Amargou as derrotas, nas semifinais olímpicas com as meninas, principalmente a de Atlanta, em 1996, mais do que quando era jogador, na Olimpíada de Los Angeles, em 1984, e o Brasil ficou com a medalha de prata. "Em 84 eu dava uma pequena contribuição, mas em 1996 eu era timoneiro." Disse que aprendeu vendo os outros, principalmente seu primeiro técnico, o Bené - "que fazia do crescimento das pessoas a sua bandeira" - e com Bebeto de Freitas, seu treinador em 1984.

Agencia Estado,

29 Agosto 2004 | 18h05

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