Bernardinho fica e promete mudanças

Brasil leva virada da Rússia, fica com a prata e técnico fará renovação na base de jogadores para brigar pelo ouro em 2016

PAULO FAVERO , SÍLVIO BARSETTI , WILSON BALDINI JR. , ENVIADOS ESPECIAIS / LONDRES, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2012 | 03h06

A sexta medalha olímpica de Bernardinho deixará um gosto amargo para o treinador. Ele, que conquistou a prata como jogador (Los Angeles/1984), agora tem, como técnico, dois bronzes pela seleção feminina de vôlei (Atlanta/1996 e Sidney/2000), e pela seleção masculina um ouro (Atenas/2004) e duas pratas, nas duas últimas edições dos Jogos, em Pequim/2008 e agora em Londres.

Após a impressionante derrota de virada do Brasil para a Rússia ontem por 3 sets a 2 (parciais de (19/25, 20/25, 29/27, 25/22 e 15/9) na final olímpica, Bernardinho estava tranquilo. O treinador disse que o time não fazia parte de nenhuma lista de favoritos ao pódio, após a péssima campanha na Liga Mundial. "Falavam muito de Polônia, Estados Unidos, Itália. E nós conseguimos chegar à terceira final olímpica consecutiva."

Por outro lado, o técnico não explicou por que apostou mais em jogadores já veteranos, alguns ainda em fase de recuperação física após passarem por contusões graves como Giba e Rodrigão, em detrimento de atletas mais jovens e cheios de talento, como o ponta Luccarelli, que esteve com a seleção nos treinos em Londres para ganhar experiência, e o central Gustavão.

A consequência da convocação de Bernardinho chegou na decisão. Depois de abrir 2 sets a 0, no terceiro game a seleção esteve perto do ouro, teve dois match-points, e não aproveitou. Uma mudança tática promovida pelo treinador russo desmontou o time verde e amarelo - o central Dimitriy Muserrskiy, de 2,18 metros, passou a jogar como oposto e a virar todas as bolas. Sem o oposto brasileiro Leandro Vissotto, de 2,12 metros, que ficou fora da semifinal e da final por contusão, o Brasil ficou sem saída. Sem força física, o saque brasileiro perdeu força e direção até mesmo com Murilo. Dante deixou a quadra com dores no joelho, Giba entrou e parecia não ter forças para definir a medalha e o ouro russo passou a ser questão de tempo.

O próprio Bernardinho admitiu que o triunfo russo se deu pelo domínio físico. "A partir do terceiro set começamos a sofrer com várias lesões. O Dante sentiu contusão no joelho, o Murilo no ombro, o Sidão no cotovelo. E o cara (Muserskiy) passou a virar bolas de todos os jeitos." Ele também destacou o forte e preciso saque russo nos dois últimos sets.

Mudanças táticas. Apesar da derrota, o técnico gostou do desempenho da equipe nos Jogos. Na entrevista coletiva, Bernardinho se emocionou ao ouvir o capitão Giba elogiar o filho Bruno no Dia dos Pais. "Acho que naturalmente os próximos líderes da nova geração da seleção serão o Bruno e o Murilo. Eles atingiram uma maturidade que os credencia para esta função também."

Bernardinho admitiu que mudanças táticas deverão ser implantadas na equipe para o novo ciclo olímpico. "Precisamos analisar qual a tendência mundial. Não podemos parar no tempo." E revelou que novos jogadores vão ganhar espaço na equipe nacional. "Vamos ter uma boa mudança. Teremos de pinçar alguns jogadores na base e correr alguns riscos para atingirmos o padrão necessário."

Sobre o futuro, ele disse que vai tirar uns 20 dias de folga para definir se permanecesse ou não na seleção - o técnico tem contrato com o time feminino do Rio de Janeiro até abril de 2013.

Técnico permanente. Embora tenha dado sinais de que poderia repensar sua permanência na seleção masculina, Bernardinho está confirmado no cargo até os Jogos de 2016. Já a situação de Zé Roberto Guimarães, que no sábado levou a equipe feminina ao bicampeonato olímpico, "ainda é um problema". Quem afirma isso é o presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Ary Graça. Ele não abre mão de exclusividade dos técnicos das duas seleções no novo ciclo olímpico.

"Com o Bernardinho, eu já acertei tudo. Ele é um vencedor. Não teria porque mudar. Quem tiver alguma dúvida, consulte o currículo dele. Agora, falta o Zé Guimarães tomar a decisão dele. Se optar pelo clube, infelizmente não vai poder conciliar com a seleção e eu vou ter de tomar outra atitude", declarou o dirigente.

Zé Roberto tem contrato com o Amil/Campinas, clube que ajudou a formar e com qual estreará na próxima temporada. O vínculo entre o técnico a CBV acabou no sábado, com a conquista da medalha.

Para Ary Graça, os Jogos do Rio passam a ter agora prioridade total. "Se em Londres conquistamos quatro medalhas, não quero nem imaginar que o vôlei no Brasil não chegue a esse número. Lá, em casa, se houver um fracasso, o mundo vai desabar sobre nós por pelo menos quatro anos."

Ary aproveitou a presença esses dias em Londres para fazer campanha. É candidato à presidência de Federação Internacional de Voleibol (FIVB). A disputa, entre 19 e 21 de setembro, nos Estados Unidos, vai reunir outros dois candidatos, o americano Doug Beal e o australiano Chris Schacht.

"Saio de Londres orgulhoso, com quatro medalhas e mais apoio ainda à minha candidatura." Ary já é vice-presidente executivo da FIVB.

O novo ciclo olímpico também vai afetar o vôlei de praia. Haverá uma seleção permanente e caberá aos técnicos da entidade a definição das duplas, disse Ary Graça.

VÔLEI MASCULINO

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