Bernardinho garante: "Não estou nervoso"

O técnico Bernardo Rezende garante que não está à beira de um ataque de nervos. Diz que prefere não falar com a imprensa logo após uma partida "para esfriar um pouco a cabeça", ainda mais num jogo como o de quarta-feira, o segundo do playoff decisivo da Superliga - o Rexona-Ades perdeu do Finasa/Osasco por 3 sets a 2 e foi vítima de um erro num tie-break com arbitragem questionável. "Era a bola do jogo e ele deu bola fora." Mas admite que quebrou a porta do vestiário com um chute e confessa que está "chateado" com a imprensa. Disse que só dois jornais, o Globo e o Estado, conversaram com ele após a denúncia do doping de Estefânia num momento decisivo da Superliga. "Fui julgado não pelo que disse, mas pelo o que as pessoas disseram que eu disse." Afirma que tem noção exata de que a mídia não é culpada pelo que foi divulgado no caso de Estefânia. "Eu disse que quem tinha a informação esperou o momento preciso do campeonato para divulgar." Bernardinho tem um currículo invejável: duas medalhas de bronze olímpicas com o feminino; com o masculino, o tricampeonato da Liga Mundial, o título do Mundial e o ouro olímpico. Mas, nos últimos tempos, aparenta ter reações exageradas. O comportamento na quadra - chuta bancos, morde os dedos, a gola da camisa, sapateia, grita com as jogadoras, bate a prancheta na cabeça - passou para os bastidores. Depois da derrota em Osasco, esbravejou com os jornalistas que esperavam uma declaração sobre o jogo. Tentou entrar no vestiário, que estava trancado, e chutou a porta aos berros de "mais respeito, por favor, mais respeito." Mas acha que foi mal interpretado. Só queria que os repórteres esperassem - respondeu a duas perguntas antes de sair rapidamente. "Estou sendo julgado por algo que começou no Rio. Escreveram várias colunas, sem nunca falar comigo." Osasco vence a série melhor-de-cinco da final por 2 a 0. O Finasa pode conquistar o título sábado, no Caio Martins, em Niterói. Mais intrigante que a vantagem do time paulista tem sido o comportamento de Bernardinho desde que a imprensa descobriu o doping de Estefânia. "Gostaria de poder fazer exame antidoping nos jornais. Seria bacana! Com que moral vamos trabalhar? Veja se consegue escrever o que vou dizer: o esporte não é um mundo perfeito, mas é certamente mais perfeito que outros mundos. O esporte é um mundo muito melhor do que temos por aí." O Sindicato dos Jornalistas do Rio divuldou uma nota intitulada "Medalha de lata para Bernardinho", que em certo trecho diz: "Tremenda bola fora. Além da indesculpável falta de modos, Bernardinho demonstrou não saber conviver com uma rara crítica do mesmo jeito que saboreia os freqüentes elogios decorrentes dos títulos que conquista."

Agencia Estado,

01 de abril de 2005 | 09h25

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