Daniel Zappe/Exemplus/CPB
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Beth Gomes bate 3º recorde mundial aos 54 anos; Cícero também é ouro com melhor marca

Brasil está com 36 pódios no Mundial de Atletismo Paralimpico de Dubai, em segundo lugar no quadro de medalhas

João Prata, enviado a Dubai, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2019 | 06h58

O Brasil bateu dois recordes mundiais em Dubai nesta quinta-feira. A veterana da delegação, Beth Gomes, quebrou sua própria marca pela terceira vez na temporada no lançamento de disco e aos 54 anos vive sua melhor fase na carreira. Cícero Lins garantiu o ouro com recorde no lançamento de dardo.

Beth compete na classe F-52 (cadeira de rodas) e bateu o recorde mundial em seu último arremesso, quando alcançou 16,89 metros e chorou de emoção e alívio. Por ser a melhor do ranking ela foi a última e fazer os arremessos e estava pressionada, pois a ucraniana Iana Lebiedieva liderava com 16,26 metros. A brasileira superou a adversária na segunda tentativa (16,63m) e depois fez a melhor marca da história dessa classe. "A emoção é muito grande.Vim preparada com foco que tudo ia dar certa e hoje sou a melhor do mundo", disse.

Mais velha entre os 43 atletas da delegação brasileira, Beth tem esclerose múltipla que a incomoda desde quando tinha 27 anos. O problema fez com que se aposentasse da Guarda Civil e também interrompesse a carreira de jogadora de vôlei. Em entrevista recente ao Estado, ela revelou que tentou o suicídio logo após a descoberta da esclerose e o esporte paralímpico a salvou. Beth começou no basquete de cadeira de rodas, onde disputou os Jogos do Rio-2016. Agora em Tóquio irá para defender seu recorde no atletismo. Tenho que agradecer muito a Deus e agora focar em Tóquio-2020. Foi um grande feito. O último lançamento me levou a melhor do mundo", afirmou.

O Mundial de Dubai foi o quarto evento que Beth disputou em sua carreira. A estreia aconteceu em Lyon-2013, quando terminou em quinto lugar. O melhor desempenho havia sido o bronze em Doha-2015. Na mais recente edição, Londres-2017, ela terminou novamente em quinto lugar. "Será que aconteceu mesmo ou era um sonho. Aconteceu mesmo. Obrigada. Tirei o gostinho de Londres-2017 que acabei em quinto por uma fatalidade da arbitragem."

DO SERTÃO PARA O MUNDO

O outro recorde veio com um estreante em mundiais. Cícero não conseguiu índice para disputar Londres-2017, mas agora se credencia como favorito ao ouro em Tóquio-2020. Nos Jogos do Rio-2016 ele ficou com a quarta colocação. "Sensação indescritível. Venho na batalha desde o Rio. Agora fui premiado não só com a medalha, mas também com o recorde e estou muito feliz", comentou. 

Cícero lançou em 49,26 metros e deixou para trás o iraniano Amanolah Papi (47m80) e também o sírio Mohamad Mohamad (46,01). "Estava tranquilo. No terceiro lançamento veio uma boa marca e na sequência o recorde", analisou. O brasileiro nasceu com má formação congênita nos pés e descobriu o esporte paralímpico por acaso. Ele estava na rua, quando um outro cadeirante o parou e falou sobre a possibilidade de fazer uma atividade física. O início foi na natação e desde 2013 ele está no lançamento de dardo.

Natural de Igaracy, na Paraíba, ele comentou a dificuldade até chegar ao topo do mundo. "Saí lá do sertão paraibano e hoje estar aqui... É muito difícil. No início tive que sair do interior para morar na capital, deixei minha mãe lá. Isso é muito complicado para a gente. Mas quem tem sonhos e quer realizá-los tem que ir à luta", afirmou.

O Brasil faz uma campanha espetacular nas provas de campo. O País conseguiu medalhas em todas as provas em que disputou. Foram seis ouros e cinco bronzes. No total, são 36 pódios (14 ouros, 8 pratas e 14 bronzes) e o segundo lugar no quadro geral de medalhas. A China lidera com 52 (23 ouros, 20 pratas e 9 bronzes). 

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