Bielsa queria um jogo mais equilibrado

Técnico admite que chilenos ainda não estão em condições de fazer frente às equipes de ponta do futebol mundial

André Cardoso, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2010 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL

JOHANNESBURGO

O treinador chileno Marcelo Bielsa admitiu que esperava melhor sorte nas oitavas de final da Copa do Mundo. Mesmo com péssimo retrospecto diante do Brasil ? são oito derrotas nos últimos oito jogos ?, ele acreditava que a seleção chilena poderia equilibrar o duelo de ontem, no Estádio Ellis Park, em Johannesburgo. Mas, depois da derrota por 3 a 0, o treinador do Chile reconheceu a superioridade brasileira e disse que a eliminação de sua equipe foi "justa".

Bielsa afirmou que esperava mais na partida de ontem. "Eu achava que poderíamos equilibrar o jogo. Mas não pudemos impedir a superioridade do Brasil", analisou o treinador. No entanto, considerou que o placar não deveria ter sido tão elástico. "Os nossos jogadores fizeram um esforço muito grande, deram o máximo. Mas, a verdade é que não levamos perigo ao Brasil", criticou.

Segundo Bielsa, o fator mais relevante para o resultado da partida foi que a seleção brasileira soube aproveitar as oportunidades que criou. "Contra o Brasil, é sempre complicado. Eles aproveitaram muito bem os espaços na nossa defesa. E nós não fizemos o mesmo do outro lado. Não conseguimos dar a bola para quem estava livre no nosso ataque", afirmou o técnico argentino, que comanda o Chile há cerca de três anos.

Apesar de revelar "tristeza e decepção" pela eliminação nas oitavas de final, Bielsa ficou orgulhoso pela participação chilena na Copa da África do Sul. "A nossa classificação na primeira fase foi justa. E o balanço do trabalho é positivo", avaliou o treinador. Mas ele também explicou que o jogo de ontem "mostrou que ainda existe uma distância entre o Chile e as grandes equipes do futebol mundial".

Terminada a Copa para os chilenos, o futuro de Bielsa é incerto. Seu contrato acabou ontem, com a eliminação diante do Brasil. A Federação de Futebol do Chile já manifestou o desejo de renovar o compromisso, mas ele não deu pistas do que pretende fazer. "Agora não é o momento de pensar nisso", repetiu o treinador argentino nas seguidas perguntas sobre o assunto durante a entrevista. O Chile conseguiu sua melhor participação em Copas desde que chegou às semifinais, em 1962, quando foi sede da competição.

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