Graeme Jennings/AP
Graeme Jennings/AP

Biles e outras ginastas pedem R$ 4,8 bilhões ao FBI por não evitar novos casos de abuso sexual

Desde 2015, mais de 300 atletas já fizeram denúncias contra o médico Larry Nassar, mas profissional continuou em liberdade até dois anos depois, quando se declarou culpado e foi preso

Redação, Estadão Conteúdo

08 de junho de 2022 | 13h10

A supercampeã Simone Biles e outras ginastas americanas estão pedindo indenização de US$ 1 bilhão, equivalente a R$ 4,8 bilhões, ao FBI como compensação pela entidade não ter evitado novos casos de abuso sexual após as primeiras denúncias das atletas. Mais de 300 ginastas acusam Larry Nassar, médico que atendia às esportistas ligadas à federação de ginástica dos EUA, de abusos sexuais.

A informação foi revelada pelos advogados das ginastas, que estão acionando o FBI na Justiça. É de conhecimento público que a polícia federal dos EUA tinham conhecimento, em 2015, das denúncias das atletas. Mas nada foi feito, permitindo a Nassar seguir livre para continuar cometendo abusos contra elas por mais de um ano. Ele admitiu sua culpa no tribunal em 2017 e foi condenado a prisão. A soma das condenações já supera 360 anos de reclusão.

"Chegou a hora do FBI ser responsabilizado", afirmou a ex-ginasta Maggie Nichols, campeã nacional no período entre 2017 e 2019. "Se o FBI tivesse simplesmente feito o seu trabalho, Nassar teria parado antes de abusar de centenas de garotas, incluindo eu mesma", disse a também ex-ginasta Samantha Roy.

De acordo com a lei federal americana, uma agência ligada ao governo tem prazo de seis meses para responder às denúncias feitas nesta quarta-feira. Procurado pela agência de notícias The Associated Press, o FBI não se manifestou sobre o pedido de indenização das ginastas.

No total, cerca de 90 ginastas e ex-atletas fazem parte deste pedido de indenização, incluindo Simone Biles, dona de seguidos títulos mundiais e olímpicos em sua carreira. Integram o grupo ainda Aly Raisman e McKayla Maroney, também campeãs olímpicas, de acordo com o escritório de advocacia "Manly, Stewart & Finaldi", da Califórnia.

A Michigan State University, sede dos treinos da seleção americana de ginástica, também foi acusada de não investigar Lassar após seguidas denúncias. E já concordou em pagar indenização de US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,4 bilhões) para as mais de 300 garotas e mulheres que foram alvo dos abusos sexuais.

A federação de ginástica e o Comitê Olímpico dos EUA já fizeram um acordo no valor de US$ 380 milhões (R$ 1,8 bilhão).

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