Loic Venance/AFP
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Biles prestará depoimento no Senado dos EUA sobre erros cometidos pelo FBI na investigação de abusos

Ginasta vai falar para comitê que analisa detalhes do caso do médico Larry Nassar

EFE, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2021 | 21h35

A ginasta Simone Biles, dona de quatro ouros olímpicos, prestará depoimento na quarta-feira a um comitê do Senado dos Estados Unidos que analisa os erros cometidos pelo FBI ao investigar os abusos sexuais cometidos por Larry Nassar quando era médico da seleção americana de ginástica artística. 

O comitê judicial do Senado anunciou nesta segunda-feira que Biles e outras três campeãs mundiais participarão de uma audiência virtualmente devido à pandemia de covid-19. 

Em meados de julho, um relatório interno do Departamento de Justiça dos EUA revelou que o FBI não respondeu com a urgência e a seriedade necessárias às acusações contra Nassar, que usou sua posição como médico para abusar das atletas e se proteger. 

Simone Biles, de 24 anos e ganhadora de 19 títulos mundiais, criticou a forma como a USA Gimnastics e o Comitê Olímpico lidaram com as denúncias de abusos contra Nassar. Cerca de 140 atletas denunciaram ambas as organizações. 

Em entrevista recente à revista "Vogue", Biles revelou que, quando os Jogos Olímpicos de Tóquio foram adiados por um ano, se sentiu "destroçada" pela perspectiva de ter que passar mais um ano com a federação americana de ginástica. 

"Chorei e pensei que não suportaria ficar outro ano com a USA Gymnastics", disse a multicampeã, que logo após começar os Jogos de Tóquio se retirou da primeira final e revelou os problemas de saúde mental que afetam atletas de elite. 

Além de Biles, também prestarão depoimento ao comitê do Senado outras três ginastas que denunciaram abusos de Nassar. Uma delas é McKayla Maroney, que conquistou um ouro e uma prata em Londres, em 2012. Ela assinou um acordo confidencial com a federação americana para receber uma indenização de US$ 1,25 milhão. 

Outra delas é Maggie Nichols, a primeira denunciar a federação pelos abusos de 2015 e que protagonizou o documentário da Netflix "Atleta A", o nome que os investigadores usavam para se referir a ela e proteger sua identidade. 

A terceira é Aly Raisman, capitã da equipe olímpica americana nos Jogos de 2012 e 2016 e que narrou sua experiência em um livro publicado em 2017. As investigações indicam que mais de 350 mulheres podem ter sofrido abusos por parte de Nassar, que foi condenado à prisão perpétua por um tribunal de Michigan em 2018 por ter abusado de ginastas. Ele também cumpre uma pena de 60 anos de prisão por pornografia infantil.

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