Bimba fica sem medalha na Mistral

O vento inconstante foi levando as medalhas das mãos de Ricardo Winicki, o brasileiro da classe Mistral (a prancha a vela), na raia de Ágios Kosmas, nesta quarta-feira. "Bimba" podia chegar em 15º lugar que, independentemente dos adversários, ganharia no mínimo o bronze. Com um sexto seria prata, com o terceiro, ouro. Mas o tempo foi passando e bóia a bóia o sofrimento do velejador também ia piorando: caía cada vez mais para trás dos adversários. "Foi batendo um cansaço estranho", chegou a dizer, no pier. Nos últimos 50 metros, foi ultrapassado pelo grego Nikolaos Kaklamanakis. Bimba terminou em 17º a 11ª e última regata da classe e assim, por um ponto, perdeu uma medalha olímpica (54 perdidos contra 53), ficando em quarto lugar na classificação geral. A vitória foi de Gal Fridman, primeiro ouro em Olimpíadas para Israel, com 42 pontos, seguido por Kaklamanakis, com 52, que foi recebido com muita festa na chegada do mar.Bimba falou que a largada da regata foi dada com vento de menos de seis nós, mas todos estavam avisados de que regatas cobertas pela tevê, com mobilização de helicópteros por exemplo, não levariam em conta velocidade do vento mas o tempo exato para início das transmissões.Portanto, não caberia reclamar - e nem recurso, pois da instrução de regata consta "bom senso" para não dar largada aos barcos com menos de seis nós, mas não a proíbe. De sua parte, o brasileiro que mora em Búzios disse não estar acostumado a velejar com vento tão fraco e inconstante.A melancolia tomou conta do pier debaixo de um sol de 50 graus no concreto, ao lado da festa grega, que teve direito até à participação de Gianna Angelopoulos-Daskalaki, a presidente do Comitê Organizador da Olimpíada de Atenas, o ATHOC - um "quase clone moreno" da prefeita Marta Suplicy - pulando e posando para fotos com as dezenas de voluntários que foram aplaudir e abraçar Kaklamanakis. (O velejador grego, aliás, herdou a honra de acender a pira olímpica depois do afastamento de Costas Kederis e também o terceiro lugar de João Rodrigues na oitava regata: o português estava na zona de briga ao menos pelo bronze, quando teve sua largada considerada "escapada" - o que não ficou provado por vídeo, valendo a palavra da comissão de regata. Eliminou-se assim um dos concorrentes de Kaklamanakis.) Chegou-se a comentar também que os helicópteros da tevê atrapalham - principalmente as leves pranchas a vela -, quando sobem e descem, deslocando camadas de vento.Azar - Mas Bimba não quis montar uma justificativa em cima dos helicópteros. Também não considerou que traçou uma estratégia errada, mesmo porque saiu muito forte, como disse, e acabou passando por zonas sem vento quando rivais encontravam seu caminho em meio às rajadas inconstantes, "uma hora, a zero; outras, muito forte, de Oeste ou do Norte". Assim, para Bimba, foi uma questão de sorte e azar. No seu caso, de azar. Mesmo tendo chegado em quarto lugar na Olimpíada, subindo do 12º de Sydney/2000. "Esporte é isso. Uma hora é glória, outra... Mas ainda tenho duas, três Olimpíadas."

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