Bimba usa exemplo de campeão olímpico para buscar medalha em Londres

Velejador brasileiro busca exemplo de austríaco para manter tranquilidade e se dar bem nos Jogos de Londres

PAULO FAVERO, enviado especial, O Estado de S. Paulo

28 de julho de 2012 | 00h03

LONDRES - As lições dos Jogos Olímpicos de 2000, em Sydney, serão usadas na edição de Londres por Ricardo Winicki, o Bimba, velejador brasileiro da classe RS:X. Naquela edição, ele ficou em 15º lugar na classe Mistral, mas se impressionou com a atuação do austríaco Christoph Sieber, que ficou com a medalha de ouro. "Enquanto a gente treinava, ele só surfava e se divertia. Ele estava zoando e tirando onda. Era um cara experiente e ninguém deu nada para ele. Mas foi lá e ganhou, para surpresa geral", conta Bimba.

Tempos depois, os dois se encontraram e o campeão falou para o velejador brasileiro que foi o único que estava tranquilo na competição e que aquilo o ajudou. Bimba guarda até hoje a lição e, em sua quarta participação olímpica, quer colocar isso em prática. "Não tem muito que entrar em pânico. Já fui a três edições, não ganhei nenhuma medalha e o mundo não acabou. Vou tentar velejar tranquilo e quero entrar na água para me divertir e fazer o que sei", diz o atleta, que tem como melhor colocação o quarto lugar em Atenas, em 2004.

Aos 32 anos, o carioca teve sua vida transformada no último ciclo olímpico. A começar pelo nascimento da filha Nina em agosto de 2008. Também já mostra sinais de maturidade com alguns cabelos brancos na cabeça e com um jeito mais sereno de falar. Velejador talentoso, já foi campeão mundial (em Portugal, 2007), é tricampeão pan-americano nas três últimas edições e tem títulos mundiais da Juventude. "Com certeza eu sonho com a medalha olímpica. É o único pódio que falta na minha carreira", afirma.Para Bimba, a RS:X é a classe mais equilibrada da vela e ele vê pelo menos dez atletas em condições de brigar pela medalha.

O holandês Dorian Van Rijsselberge, 23 anos, e o britânico Nick Dempsey, 31 anos, são considerados favoritos na prova. O primeiro é novato e pode sentir a responsabilidade. O segundo, mais experiente, terá a pressão de competir em casa. Só que Bimba quer surpreender. "Estou chegando aqui com o objetivo de tentar algo. Minha filha adora a medalha do Pan e até falou para mim: 'pai, traz uma da Olimpíada'. Mal sabe ela que essa é bem mais difícil."

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