Blanka volta a vencer e recupera o sorriso

Croata supera trauma de Pequim e conquista bi mundial no salto em altura contra rival que competia em casa

BERLIM, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2009 | 00h00

Pouco mais de um ano depois, os lábios de Blanka Vlasic voltaram a abrir-se no largo sorriso dos vencedores. A esbelta croata, prata na Olimpíada de Pequim em 2008, voou mais alto que suas rivais ontem, no Estádio Olímpico de Berlim, e se consagrou bicampeã mundial do salto em altura. Ao ultrapassar os 2,04 metros, deixou para trás a russa Anna Chicherova, 2ª colocada, e a alemã Ariane Friedrich, concorrente considerada favorita por atuar em casa. "Estava pressionada e sabia que seria difícil", disse a campeã, aliviada e sorridente. "Foi tão duro como da primeira vez."O duelo pelo reinado da modalidade esteve, mais uma vez, envolto numa extenuante batalha psicológica. Dessa vez, contudo, Blanka teve sabedoria suficiente para domar os nervos e, assim, conseguiu evitar a pressão que Ariane impõe às adversárias. Aferrada a um estilo agressivo, a alemã costuma desprezar etapas e opta por elevar o sarrafo a cada tentativa. Sua estratégia, bastante eficaz, induz as demais atletas ao erro.Ontem, no entanto, foi diferente. Ensimesmada, Blanka evitava olhar para os lados. Exibia um semblante altivo. Seus olhos verdes, diáfanos, estavam fixos no objetivo único de ultrapassar uma altura que se mostrasse insuperável pelas outras. Durante a prova, deles só escapava concentração. Depois, já no alto do pódio, não pôde evitar que deles também se lhe escapassem lágrimas.Quando o duelo chegava ao fim, Ariane recorreu ao expediente que lhe caracteriza. Sob aplausos da plateia, mandou elevar o sarrafo a 2,06 m. Blanka acabara de superar os 2,04 m na derradeira tentativa, Chicherova falhara nas três ocasiões e à alemã restava apenas um salto. O estádio silenciou. Ariane teria de igualar a melhor marca de sua carreira para seguir na briga pelo ouro. Foi bronze.Vitoriosa, Blanka ainda tentou bater o recorde mundial, 2,09 m, da búlgara Stefka Kostadinova desde 1987. Teve o incentivo do público, e até de Ariane. Mas, se tal façanha vier a ocorrer, será noutro dia. Ontem, bastava-lhe a Blanka reencontrar o sorriso perdido.

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