Blatter: ausência de brasileiros se deve a legado da era Dunga

Presidente da Fifa diz que estilo 'substancialmente defensivo' adotado pela seleção na Copa foge de suas características

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2011 | 00h00

GENEBRA

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, critica o futebol brasileiro e alerta que a ausência de craques do País no Oscar do futebol é um reflexo do estilo Dunga, na Copa do Mundo de 2010. Nem Kaká nem Pato nem Robinho. Nenhum brasileiro foi selecionado entre os melhores do ano.

O Brasil é o país que mais títulos conquistou nos quase 20 anos do prêmio de melhor jogador do mundo. Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Romário e Kaká estiveram entre os escolhidos. Mas, em 2010, o País deixou de fazer parte da elite do futebol mundial.

Os únicos indicados foram Maicon, Daniel Alves e o goleiro Julio Cesar, que apareceram na lista dos 32 melhores do ano. Mas não chegaram à final. "Vimos zagueiros brasileiros sendo nomeados. Pode ser que isso seja surpreendente, mas corresponde à maneira pela qual o Brasil jogou na Copa de 2010. Ou seja, no estilo europeu, sobre a base de um fundamento defensivo substancial: Julio Cesar, Maicon, Lúcio, Juan, Michel Bastos. Esse não era antes o estilo brasileiro", afirmou Blatter.

Quem salva a honra do futebol brasileiro é Marta, jogadora que já se tornou um ícone do futebol feminino e que acumula o maior número de título de melhor do ano, superior ao tricampeonato de Ronaldo. Hoje, ela espera conquistar o penta. Mas, para isso, terá de superar as estrelas alemãs Fatmire Bajramaj e Birgit Prinz (leia mais abaixo).

Unificação. A premiação de hoje completa um sonho antigo da Fifa: ser a única a designar o melhor jogador de futebol do mundo. A entidade comprou da revista France Football o nome "Bola de Ouro", que existe desde 1960.

A France Football criou o prêmio há 54 anos. Originalmente, a meta era conceder a honraria ao melhor jogador europeu. Mas, com o passar dos anos, ganhou conotação internacional. Já a Fifa, em busca de seus heróis, criou a sua versão em 1991. Desde então, 13 edições dos troféus tiveram os mesmos ganhadores. De 2005 para cá, todos os vencedores do prêmio da revista francesa acabam também sendo premiados pela Fifa. Neste ano, o melhor jogador da temporada será eleito por jornalistas, capitães de seleções e técnicos.

PUXÃO DE ORELHA

JOSEPH BLATTER

Presidente da Fifa

"O Brasil jogou a Copa de 2010 no estilo europeu, com base em um fundamento defensivo substancial"

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