Blatter manobra para tirar rival da luta pelo poder

Presidente da entidade manda investigar Bin Hammam, seu opositor na eleição do dia 1º, por suspeita de corrupção

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / GENEBRA

Atolada em escândalos de corrupção, a Fifa pode ter agora sua eleição para presidente decidida no tapetão. Ontem, o presidente da entidade, Joseph Blatter, ordenou a abertura de investigação contra seu único rival nas eleições de 1.º de junho. Mohamed Bin Hammam, apoiado por Ricardo Teixeira, está sendo acusado de ter pago propinas e viagens de todos os presidentes de federação da América do Norte para uma ilha no Caribe para se reunir com ele. Isso, pelas regras da Fifa, seria ilegal.

Uma audiência extraordinária do Comitê de Ética da Fifa foi convocada para domingo, três dias antes das eleições, em que votam todos os presidentes das 208 federações filiadas. Se for condenado, Bin Hammam teria de abandonar a corrida e deixaria as portas abertas para Blatter obter mais um mandato e completar três décadas na Fifa.

"Se houver justiça, essas alegações desaparecerão"", disse o acusado. "Isso é tática daqueles que não têm confiança em sua capacidade de vencer as eleições."" Bin Hammam já é alvo de investigação na Inglaterra por supostos subornos por votos para o Catar sediar a Copa de 2022.

Ele denuncia uma "manobra política"" por parte do suíço. Há apenas dois dias, Blatter se recusou a depor diante de uma CPI do futebol que o Parlamento Britânico realiza.

Segundo a tevê britânica BBC, Joseph Blatter seria ainda uma das pessoas que concordaram em manter em sigilo os nomes das pessoas envolvidas em um escândalo de pagamento de propinas nos anos 90.

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