Arnd Wiegmann/Reuters
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Blatter prepara golpe para continuar no poder, revela jornal

Suíço estaria repensando decisão de renunciar à presidência

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

14 de junho de 2015 | 07h09

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, estaria repensando sua decisão de renunciar ao cargo máximo do futebol. Segundo o jornal suíço Schweiz am Sonntag, o cartola estaria pronto para rever sua posição, depois que recebeu "dezenas de mensagens de apoio" de delegações africanas e asiáticas.

Segundo uma fonte consultada pelo jornal e próxima do dirigente, Blatter estaria pensando numa reviravolta e que, no dia 20 de julho, poderia anunciar sua decisão diante do Comitê Executivo da Fifa, convocada por ele mesmo.

Quatro dias depois de sua vitória nas eleições de 29 de maio, Blatter anunciou que entregaria seu cargo, em eleições que ele mesmo convocaria. Acuado e pressionado por patrocinadores diante da possibilidade de uma prisão, ele anunciou a mudança radical. 

Mas em nenhum momento ele mencionou a palavra "renúncia" e, como o Estado revelou com exclusividade no fim de semana passado, sua manobra tinha como meta reduzir a pressão sobre ele e preparar um sucessor.

Agora, o jornal suíço indica que Blatter já teria dito a pessoas próximas a ele que tem a intenção de continuar. Ele teria construído uma série de alianças com africanos e asiáticos que, juntos, o manteriam no poder.

Na esperança de limpar e criar novas condições para se manter no poder, ele teria até mesmo demitido seu diretor de Comunicação, Walter de Gregorio, visto como peça central no poder de Blatter.

IMPACTO

A revelação dos suíços causou um terremoto no mundo do futebol, inclusive diante da determinação de parte de políticos e dirigentes de que Blatter deixe imediatamente o poder. Na semana passada, o Parlamento Europeu adotou uma resolução justamente neste sentido.

Mesmo dentro da Fifa, o homem que está conduzindo as reformas da entidade, Domenico Scala, defende que Blatter deixe o poder.

"Para mim, as reformas são centrais", disse em um comunicado. "Isso é o motivo pelo qual e acho que é indispensável que se cumpra o processo iniciado de mudança de presidente que foi anunciada", completou. 

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