Blatter resolve deixar tudo como está na Fifa

Presidente da entidade muda regras, passa a permitir acordo entre candidatos à Copa e até defende cartolas punidos

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2010 | 00h00

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, enterrou a possibilidade de qualquer reforma na entidade, mesmo depois de um dos maiores escândalos de corrupção, e mudou, de um dia para o outro, as regras que ele mesmo instaurou. Ele promete "uma nova Fifa"", mas as mudanças que promoverá apenas "regularizam"" práticas que, até ontem, eram ilegais.

Há menos de um ano, a Fifa decidiu que acordos entre duas candidaturas para sediar a Copa do Mundo eram proibidas e ameaçou: se isso ocorresse, países poderiam ser expulsos. Um mês atrás, veio à tona suspeita de que o Catar prometia votar pela candidatura de Espanha-Portugal para a Copa de 2018, e conseguir mais alguns votos, em troca de apoio para 2022. A denúncia obrigou a Fifa a abrir investigação, que nada apurou e terminou sem conclusões.

Ontem, Blatter admitiu que seria inevitável a troca de votos, insinuando que elas aconteceram e que não serão punidas. "Não podemos evitar acordos"", admitiu. "Há esse tipo de acordos em eleições, na política, em partidos que são inimigos e que se unem para vencer outro. Isso não é proibido"", disse, revertendo suas próprias leis.

O cartola também saiu em defesa de seus membros do Comitê Executivo, suspeitos de negociarem a venda de seus votos. Os acusados foram suspensos por alguns meses. Já as pessoas que fizeram a denúncia nunca mais poderão pisar na entidade.

O cartola também defendeu a Fifa diante dos casos de suspeita de corrupção de seus membros. Dois deles foram suspensos na quinta-feira, mas poderão voltar ao futebol em poucos meses. A multa é irrisória: entre US$ 5 mil e US$ 10 mil por terem pedido propinas de até R$ 3,9 milhões.

"A família do futebol tem 300 milhões de pessoas e apenas alguns culpados. Diabos sempre existirão"", disse Blatter. "Não é por que temos esses casos que podemos dizer que o futebol é corrupto.""

Dia 2 de dezembro, os ibéricos, Inglaterra, Holanda-Bélgica e Rússia disputam a sede da Copa de 2018. E Austrália, Catar, EUA, Japão e Coreia saberão quem ficará com o Mundial de 2022. "O mundo inteiro estará olhando para a Fifa nesse dia"", apontou. "Mas todas as dúvidas agora estão encerradas. Não haverá mais casos de polêmica. Acabamos. Terminado, vamos adiante.""

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